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Octávio Ribeiro

Entre a guerra e a paz

Há já uma grande derrota nas presidenciais francesas.

Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 7 de Maio de 2017 às 00:45
Há já uma grande derrota nas presidenciais francesas. Também a França perdeu a paciência com os políticos dos partidos tradicionais. Os partidos sem história são piores ainda. Mas, isso, só a História se encarregará de provar.

Num país onde, na década de noventa do século passado, milhões de votos das classes baixas transitaram diretamente do partido comunista para a extrema-direita liderada pelo pai da atual candidata, nenhum político pode ganhar eleições, nem sequer para o condomínio, se transportar consigo o peso do sistema tradicional.

O assanhado debate, que marcou esta semana, entre Marine Le Pen e Emmanuel Macron, mostrou dois candidatos a fugirem de qualquer ligação ao sistema que governa a França desde a Segunda Guerra. Eu sou mais fora do sistema do que você, eis o tom geral.

Le Pen lembrou a passagem de Macron pelo governo, e este chamou à adversária uma parasita do sistema. Sem o qual, afirmou, ela não existiria.

O tom do debate foi o tom dos tempos. Bélico, rasteiro, sem grandeza. As sondagens dizem que Macron terá ganho. Duvido. É difícil contrariar uma lógica de fechamento das nações, quando o dinheiro não chega para todos, e a tolerância excessiva está na génese de choques civilizacionais internos e terrorismo.

Quando Macron diz que quer uma França aberta ao Mundo e à diferença, perde votos na razão inversa dos que Le Pen ganha, quando diz o contrário.

Quando Le Pen afirma que a União Europeia já não é uma democracia, quem a pode desmentir, quando a Alemanha a todos subjugou?

Macron colou Le Pen a Trump e Putin, os olhos gélidos de Marine nem pestanejaram. Não fez qualquer esforço para contrariar este facto.

No meio de tantos ataques, faltou a Macron fazer o mais real e eficaz – votar em Le Pen é votar no regresso da guerra à Europa. Mais ano, menos ano.
Octávio Ribeiro opinião
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