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Octávio Ribeiro

O inferno de agosto

Marcelo tem de forçar Costa a decidir rápido e fora da caixa.

Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 30 de Julho de 2017 às 00:35
Marcelo Rebelo de Sousa tem parecido demasiadas vezes o mais alto porta-voz do Governo. Este tempo de confusão de planos institucionais deve ter chegado ao fim. A tragédia de Pedrógão Grande, o desaparecimento de armas em Tancos e o estrangulamento da informação sobre incêndios e respetivas vítimas estão a ditar uma antecipação da estratégia de Marcelo para se afirmar como fonte de poder autónoma e superior à do Executivo.

Nos planos de Marcelo, o momento ideal para uma palmada na mesa, face a Costa, seria após as autárquicas, já com o Orçamento do Estado para 2018 aprovado e uma nova liderança a afirmar-se no PSD.

Mas o Presidente lê o País como poucos. Não precisa de sondagens para sentir que a sua imagem está em risco desde que falou cedo de mais na noite da tragédia em Pedrógão. Nunca Marcelo tinha exagerado tanto na sua colagem às responsabilidades de um Governo que emana de uma maioria parlamentar à esquerda das raízes ideológicas do Presidente. Nessa noite, com a desculpabilização apressada de tudo e todos, dando o ombro ao choro do Secretário de Estado e o peito às balas que deveriam atingir a ministra, Marcelo dececionou a Nação.

Os cidadãos sentiram-se desprotegidos ao ver aquela figura triste e desorientada, a fazer questão de mergulhar no pântano da propaganda acéfala.
Desde então, Marcelo tem procurado descolar desse bafio. Perante a ocultação da lista de mortos, elencou alguns dos princípios básicos de qualquer regime democrático. E, agora, lembra que é dele a bomba atómica constitucional.

Com o País a arder como nunca – e só agora vamos entrar no agosto que mais seca o restolho –, é inocultável a desorganização das forças de combate aos fogos. Marcelo tem de fazer bem mais do que exigir a António Costa que assuma ele a pasta da Administração Interna, como tem feito desde que regressou das mais desastradas férias de um líder de Governo.

Este agosto precisa de um amplo e corajoso plano de emergência que envolva profundamente as Forças Armadas. É urgente encontrar um Spínola da paz. Marcelo tem de forçar Costa a parar para pensar. Decidir rápido e fora da caixa. Ou, a meio do mês, o que estará em causa poderá ser o regular funcionamento das instituições.
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