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Octávio Ribeiro

Prevenir para não chorar

É preciso encontrar formas de premiar a área preservada contra os fogos.

Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 22 de Outubro de 2017 às 01:19
Para lá das 113 vidas perdidas e de dezenas de milhares de pessoas em stress pós-traumático, a incompetência deste Governo e a insensibilidade de António Costa para os fogos florestais vão custar mais 419 milhões ao País.

Neste mesmo espaço, a 31 de julho, depois de verificado que Costa nada mudaria, após a tragédia de Pedrógão Grande, apelei ao bom senso de Marcelo Rebelo de Sousa e à necessidade de se envolver as Forças Armadas no combate às novas tragédias que a seca e a incúria anunciavam. Pedia até que se encontrasse um ‘Spínola da paz’. Era óbvio que precisávamos de um estratega e líder carismático para organizar a prevenção e o apoio às populações. Tudo ficou igual. A tragédia voltou a mostrar as garras. Como vai ser agora?

Para lá da óbvia necessidade de envolver as Forças Armadas na prevenção e combate aos incêndios, é essencial que se entregue, de forma inequívoca, ao poder mais próximo dos cidadãos, que melhor conhece o terreno, a competência e a responsabilidade de garantir o máximo de segurança nas florestas.

Sim, os autarcas têm também uma alta quota de responsabilidade no que se passou em Portugal. O incómodo de afrontar proprietários negligentes, de tomar posse administrativa de terrenos por limpar, sempre prevaleceu sobre a necessária limpeza preventiva. É nas Juntas de Freguesia que um novo olhar sobre as florestas deve começar.

E um novo paradigma tem de ser imposto: da indústria do combate aos fogos, que tantos milhões movimenta em negócios opacos, Portugal tem de se voltar para a indústria da prevenção. É preciso encontrar formas de premiar a área preservada contra os fogos em vez de pagar horas extra no combate inglório às chamas criminosas.
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