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Padre António Rego

Às três em ponto

Quando a tragédia explode longe, quase não passa de mais uma notícia breve.

Padre António Rego 14 de Abril de 2017 às 00:30
Passei os olhos de relance pelos lugares onde, em 2016, ocorreram ataques a que chamamos terroristas (à falta de pior palavra). E fui anotando países e símbolos onde a morte saiu à rua e foi deixando inertes cidadãos de todas as classes, culturas e idades que tinham em comum estarem inocentes e indefesos perante o terror, a violência e a morte.

Desde o ano passado vejo, de relance, Istambul, Madrid, Lahore, Bruxelas, Peshawar, Costa do Marfim, Paquistão, Jacarta, mesquitas, igrejas, Rússia, Damasco, Nigéria, Afeganistão, Cabul, Somália, Paris, Líbia, Londres, Suécia, Egito... e muitos, muitos mais.

Quando a tragédia acontece perto, ouve-se o ruído. Mas se explode longe, quase não passa de mais uma notícia breve.

A proximidade do longe é uma impressão ligeira, gritada apenas em hinos de globalização. Os pobres e as vítimas sofrem com intensidades diferentes. É a Tua Paixão que se repete e revela no polo dos indefesos, dos condenados, esquecidos, amordaçados. Depois de Ti o mundo já compreendeu que não vale a pena a guerra e a violência. Mas continua a brincar aos mísseis, jogando os instrumentos mais letais que o homem inventou, sufocando crianças e idosos com os exércitos agressores tranquilamente à distância.

Sexta-Feira Santa, dia para chamarmos a morte pelo seu nome, quando ela é originada por quem não tem a mais pequena autoridade sobre a vida dos outros. E tanto se mata ao nascer como ao morrer. Precisamos revoltar-nos contra as mortes provocadas ou consentidas, que se juntam à morte que há dois mil anos foi decretada sobre o Filho que nos enviaste. Cada novo ser é enviado por Ti. Hoje, acompanhamos, no silêncio respeitoso, o esquife do Teu Filho e de todos os teus Filhos que foram lançados no abismo.

Dá-nos a esperança de que, tal como aconteceu há dois mil anos, a Ressurreição possa surgir como resposta clara às nossas dúvidas.
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