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Padre António Rego

Pressentimentos

A nossa vida não é uma banalidade nem somos fruto dum acaso.

Padre António Rego 14 de Julho de 2017 às 00:30
Temos trabalho para a vida inteira: procurar a verdade. Entro numa biblioteca. Vejo milhares de objetos – livros - que são procuras e encontros da verdade. Vejo uma multidão reunida, enchendo uma praça, e penso o mesmo: a procura da verdade.

Parece excessivamente óbvio para ser real, ou para ser verdade. Anda paredes meias com a felicidade que demandamos, mesmo quando batemos em porta errada. Por ela vendemos tudo, até a própria liberdade.

Não somos livres em procurá-la. É aqui que se joga a nossa vida que pode ser uma mentira da porta para fora, mas nunca o será para nós mesmos. É o nosso grande segredo.

Vamos no carro, abrimos o rádio, ouvimos discursos, teorias, políticas, sermões, propostas de bem- -estar com a aquisição de objetos do mais esquisito teor. Multiplicam-se as sentenças, os debates, as propostas, os negócios, os divertimentos, as artes, as expressões de fé.

E, à frente ou no rasto, sempre a procura da felicidade, da verdade, da grande fórmula da vida que nos liberte dos nossos pesadelos e nos abra um caminho para essa praça a que nos recusamos chamar utopia.

Diz-se hedonista o sistema ou a pessoa que vive a obsessão do prazer em cada esquina. Mas o contínuo esbarrar com o limite e o transitório acorda a necessidade de prosseguir na busca dum Absoluto que seja referência inequívoca da verdade.

A nossa vida não é uma banalidade nem somos fruto dum acaso que não nos pediu licença para existir. Fazemos parte dum projeto que atravessa as fronteiras da nossa liberdade e se cruza com o nosso invencível pressentimento de infinito. Está inscrito.

E aqui paramos. É que Deus falou de Si mesmo quando enviou o Seu Filho. Essa revelação pode ser aceite ou rejeitada. Mas converte em aposta de vida o que já estava inscrito em todos os seres finitos: o Infinito. Tudo passa, menos Deus.
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