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Paulo Fonte

O difícil equilíbrio nos bairros históricos

Importante é estancar a sangria e regular a atividade turística para que se respeitem os interesses.

Paulo Fonte(paulofonte@cmjornal.pt) 17 de Junho de 2016 às 01:45
Os moradores de Alfama estão preocupados com o futuro das históricas vielas lisboetas. Têm razões para isso. A Associação do Património e População do bairro já veio a público afirmar que a proliferação de alojamentos turísticos afasta os residentes, originando casos de ruas em que já nem se ouve o português. A presidente da associação não se detém no alerta e especifica.

"Na Rua de São Pedro já não se fala português, na Rua dos Remédios já não se fala português e na Rua de São Miguel já não se fala português." Maria de Lurdes Pinheiro reconhece a importância do turismo para a economia, mas tem a consciência do quão perversa é a abertura desenfreada dos espaços de alojamento local e de hotéis. Entra dinheiro, saem moradores, o bairro descaracteriza-se, perde autenticidade, o plástico e o remendado sobrepõem-se ao genuíno.

Lisboa é uma cidade cada vez mais presente no roteiro turístico e isso acentua uma tensão entre os moradores das zonas antigas e as unidades hoteleiras.
É necessário cuidado com posições extremadas a tenderem para situações de xenofobia nada condizentes com a nossa história. Como defende o presidente da câmara, seria descabido impedir um estrangeiro de comprar uma casa em Alfama. Tal como não faria qualquer sentido impedir um morador de vender a sua casa a um cidadão de outro país.

Aqui, o importante é compreender e estabelecer um equilíbrio, estancar a sangria e regular de forma eficaz a atividade turística para que todas as partes envolvidas vejam os seus interesses salvaguardados.

Quem habita a cidade e dela desfruta no dia a dia, quem a visita e por ela se apaixona merece as mesmas doses de respeito.
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