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Correio da Manhã

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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Paulo Fonte

Uma corrida contra o tempo

Qualquer dia os turistas visitam Lisboa para admirarem o hotel de Cristiano Ronaldo.

Paulo Fonte(paulofonte@cmjornal.pt) 6 de Maio de 2016 às 01:45
A circunstância não devia ser uma surpresa para os decisores, mas a verdade é que só o iminente fecho de discotecas do Cais do Sodré levou as mentes pensantes a acordar em definitivo para os problemas da especulação imobiliária e da falta de apoio aos estabelecimentos históricos.

Agora é a Comissão de Economia, Turismo, Inovação e Internacionalização da Assembleia Municipal de Lisboa a decidir recomendar à câmara a proteção dos espaços.

Ao mesmo tempo, os deputados pretendem que o município avance "rapidamente com o programa Lojas com História [lançado em 2015 pelo executivo com vista a uma proteção especial], de forma a ajudar à preservação do património de espaços comerciais da cidade".

Por outras palavras, o objetivo é amparar estabelecimentos em decadência que o tempo e a falta de apoio deixaram degradarem-se. É tempo do politicamente correto e de dar razão a quem alerta há muito para a falta de bom senso. Pode ser que ainda se ponha cobro a uma situação de aparente irreversibilidade.

O antigo está na moda e os empresários esforçam-se para o novo parecer velho. No entretanto, na capital fechou o restaurante Palmeira, a loja da fábrica Sant’Anna recebeu uma ordem de despejo para que o grupo Visabeira avance com a construção de um hotel, a Ginginha sem Rival esteve à beira de encerrar.

Os hotéis e os hostels estão, com pezinhos de lã, a tomar conta da cidade, pouco falta para os turistas visitarem Lisboa com o objetivo de conhecerem o empreendimento turístico de Cristiano Ronaldo. Lisboa descaracteriza-se e tende a transformar-se numa urbe plástica. Com certeza vão ser formados mais uns grupos de trabalho para estudar a questão. Oxalá ainda haja tempo.
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