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Paulo João Santos

Plano falhado

Presos vacinados antes de Costa e pasteleiros à frente de Marcelo.

Paulo João Santos 2 de Fevereiro de 2021 às 00:31
Não fosse trágico o que se está a passar e a empreitada da vacinação portuguesa seria a anedota da pandemia. Há presos vacinados antes do primeiro-ministro; pasteleiros que passam à frente do Presidente da República; gente que aproveita amizades ou laços familiares para tirar a vez a outros. Um misto de ‘salve-se quem puder’ com ‘salve-se quem souber’. A vergonha maior da gestão pandémica, já de si um exercício penoso de falta de previsão e planeamento.

Alargou-se o grupo de prioritários numa lógica em que caberiam muitos mais: os coveiros e agentes funerários, por exemplo, porque alguém tem de conduzir os mortos à última morada; os professores, a luz que resta de gerações às escuras. Até a dona Maria, de quem os pais dependem.

A questão é que a lógica está errada. Cerca de 90% das mortes ocorrem em pessoas com mais de 70 anos. Salvo os casos óbvios, como Marcelo ou António Costa, este é que devia ser o grupo prioritário, fossem médicos, enfermeiros, políticos, polícias ou bombeiros. Porque uma coisa é ser apanhado pelo vírus outra é morrer com ele. E o que está em causa, acima de tudo, é salvar vidas.
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