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Paulo Morais

A Cidade e os Erros

As cidades portuguesas conquistam turistas. Mas, paradoxalmente, não proporcionam qualidade de vida aos residentes.

Paulo Morais 21 de Fevereiro de 2015 às 00:30

As cidades portuguesas conquistam cada vez mais turistas e são consideradas destino de eleição para muitos especialistas. Têm património, restauração e hotelaria com boa relação qualidade-preço. E bom clima. Mas, paradoxalmente, não proporcionam qualidade de vida aos residentes. Para as famílias portuguesas, as suas novas cidades são hoje os centros comerciais. Menos por mérito próprio destes e mais por incompetência dos autarcas.

Os espaços comuns dos centros comerciais ganham em toda a linha.

O chão está limpo e em boas condições de conservação, enquanto ruas e passeios estão sujos e esburacados, alguns cheios de crateras, que ameaçam idosos e crianças incautas. Nos centros, há um ambiente geral de segurança, enquanto em algumas ruas, particularmente em Lisboa, paira a marginalidade. Além do mais, há todo um conjunto de equipamentos de que os centros dispõem, como parques infantis, WC asseados e fraldários, que rareiam na via pública. Nos shoppings, há zonas de descanso com mobiliário ergonómico; já nos jardins públicos os bancos estão danificados e os canteiros destruídos.

Não é pois de admirar que as famílias, nos seus tempos livres, procurem o conforto dos centros comerciais e não os espaços inóspitos das ruas.

O abandono do espaço público constitui um constrangimento crónico nas cidades portuguesas. O que é inadmissível, porquanto são gigantescos os orçamentos municipais, com os 700 milhões anuais de Lisboa a liderar. Mas os autarcas têm mais onde gastar dinheiro, distribuindo empregos por boys partidários ou repartindo benesses pelos mais diversos grupos de apaniguados. É claro que depois faltam recursos para aquela que deveria ser a primeira das missões municipais, a manutenção e conservação do espaço público. Há que pôr cobro aos erros acumulados.

É pois este o desafio da nova geração de autarcas, em particular nas áreas metropolitanas: gerir com seriedade e competência o património valioso que lhes é confiado. Se não o fizerem, então as autarquias só servem para gastar recursos.

Recuperação de ativos

O que é o Gabinete de Recuperação de Ativos?

 Depende da Polícia Judiciária e serve para recuperar os bens em que o Estado é lesado, nomeadamente ao nível da corrupção e fuga ao fisco. No caso BPN deveria recuperar cinco mil milhões, no caso BES deveria confiscar propriedades da família Espírito Santo. Mas o montante de ativos recuperado é ridiculamente baixo.

E que acontece aos poucos bens recuperados? 

Os bens recuperados resultam de apreensões em média criminalidade económica. São por regra carros de luxo. A sua rentabilização está a cargo do Gabinete de Administração de Bens (do Instituto de gestão Financeira da Justiça). Mas o gabinete não os vende, pois não sabe como fazê-lo. Então a recuperação vale... zero. 

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