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Paulo Morais

Abuso da maioria

Não tem sido por falta de maiorias que o País chegou a este estado. Mas sim por falta de seriedade e por desrespeito pelas minorias.

Paulo Morais 15 de Agosto de 2015 às 00:30
As legislativas aproximam-se e são cada vez mais os atores políticos que secundam a opinião de Cavaco Silva: reclamam um resultado de maioria, que gere estabilidade governativa. Discordo em absoluto, pois foram as maiorias que nos trouxeram à crise e a miséria. Todas as maiorias governativas são de má memória: Cavaco, Guterres, Sócrates e Passos. Foi com Cavaco Silva no governo que se desbarataram fundos europeus sem critério, se começou a instalar a promiscuidade entre negócios e política e se assistiu à instalação da corrupção no regime. Os dinheiros do Fundo Social Europeu para formação foram desviados para o bolso de alguns. A política era dominada por Duarte Lima, Dias Loureiro e Oliveira e Costa. Em maioria.

Foi Guterres que, apesar de prometer "no jobs for the boys", permitiu a entrada na Administração Pública de milhares de boys sem concurso. Na enxurrada, Guterres engordou a Administração. Dominavam a política socialista Jorge Coelho, Pina Moura, Armando Vara e Sócrates. Tudo gente séria, portanto. Em maioria. Foi já a maioria absoluta de Sócrates que celebrou os contratos ruinosos das dezenas de parcerias público-privadas que comprometem as contas públicas até 2035. Foi também Sócrates que nacionalizou o BPN, assumindo todos os prejuízos e deixando intactos os bens dos responsáveis pelo descalabro do banco. Também Passos Coelho dispôs de uma confortável maioria, em coligação com Paulo Portas. Aproveitou esse poder absoluto para privatizar sem critério e ao desbarato a REN, a EDP, EGF, CTT, ANA e TAP. Entregou o ouro ao bandido e fê-lo sem sentido estratégico ou patriótico. Hoje os chineses dominam a energia elétrica em Portugal, num modelo neocolonial em que os colonizados somos nós. Os aeroportos são controlados pela mesma empresa que detém as pontes Vasco da Gama e 25 de Abril, pelo que as entradas na capital estão fora do controlo público, uma verdadeira ameaça à nossa segurança.

Não tem sido, pois, por falta de maiorias que o País chegou a este estado. Mas sim por falta de seriedade e por desrespeito pelas minorias.

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Perguntas & Soluções: Túnel do Marão e a Via do Infante

Porque foi interrompida a construção do túnel do Marão?
Não se admite. Uma entidade pública que inicia uma obra tem de saber como a vai financiar do princípio ao fim. Se há interrupções, é porque o financiamento era apenas parcial e iniciou-se a empreitada só para dar dinheiro às construtoras; ou porque se gastou todo o orçamento apenas numa parte da obra.

A Via do Infante, no Algarve, deve ter portagens?
Não. As portagens, pelo custo e pela forma difícil de pagamento, afastam os turistas, ‘empurram’ o trânsito para estradas sem capacidade de escoamento, provocando engarrafamentos. Aumentam os acidentes. No final, a receita obtida é baixa, pois boa parte vai para o pagamento do sistema, os pórticos.

Telegrama: O concerto de Tony Carreira
O concerto de Tony Carreira de promoção ao hipermercado Continente nas Caldas da Rainha foi subsidiado pela Câmara. A autarquia gastou nesta iniciativa de âmbito privado 27 500 euros, patrocinando a promoção a uma marca comercial. Não se entende que se use dinheiro de impostos do povo para "apoiar" o "Continente".  
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