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Paulo Morais

Golpe de Misericórdia

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa não é santa, porque não pertence à Igreja, nem misericordiosa com os portugueses.

Paulo Morais 25 de Julho de 2015 às 00:30
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) nem é santa, nem é misericordiosa com os portugueses. É uma estrutura, ligada ao Estado português, sem missão estratégica ou utilidade a nível nacional. Deveria ser extinta.
Não é santa porque já não pertence à Igreja, apesar do seu nome equívoco. Este leva até a que alguns católicos beneméritos deixem legados à instituição. Um logro que beneficia de uma falta de clarificação que a própria Igreja deveria exigir.

Beneficiando das receitas dos jogos sociais (Euromilhões, Totoloto, raspadinhas, lotarias), a SCML não serve, contudo, o País. As suas receitas são maioritariamente (81%) gastas em fins sociais e de saúde apenas na cidade de Lisboa. Apoia "os cidadãos mais desprotegidos residentes na cidade" (58% do orçamento) e os seus serviços de saúde gastam 23% da despesa em prestação de cuidados "à população carenciada da cidade de Lisboa". Usufruindo de receitas de todo o País e aplicando-as apenas em Lisboa, a SCML é um instrumento que leva à sucção de recursos e à sua concentração a favor da região mais rica do País, a capital.

A SCML tem sido generosa, essencialmente, com políticos que vêm sendo nomeados para a sua gestão, em função da cor do governo. Em tempos de governação PS, foram provedores a guterrista Maria de Belém e o soarista Vítor Ramalho. Já nos consulados do PSD/CDS, governaram a instituição Fernanda Mota Pinto, Maria José Nogueira Pinto ou Santana Lopes, o atual provedor. Este sistema permite a utilização do poder e do dinheiro da SCML numa lógica partidária e de agendas pessoais.

Extinga-se pois a SCML, estrutura privada que vive de privilégios públicos. A sua enorme receita deve deixar de ser utilizada em fins locais e deve, doravante, reverter a favor de todos os portugueses. Como? Toda a receita que a SCML recebe do jogo a nível nacional (150 milhões) poderia ser consignada a fundos para garantir reformas e pensões, como complemento da taxa social única.


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