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Pedro Santana Lopes

Ousar mudar

Temos de reconsolidar a recuperação económica, não é tempo de aventuras.

Pedro Santana Lopes 24 de Novembro de 2017 às 00:31
A deslocalização de serviços de uma zona do território para a outra pressupõe obrigatoriamente um processo prévio de preparação. Essa preparação tem de incluir para lá do respeito e dos direitos dos trabalhadores legalmente estabelecidos, a cortesia exigível no relacionamento Humano.

Todos temos de compreender que seja duro para os trabalhadores de qualquer entidade ouvirem de repente, na televisão, que vão ser transferidos para 300 km do local onde agora trabalham. Naturalmente que não deve, nem pode, ser assim. A Constituição e a Lei garantem Direitos que terão de ser, obrigatoriamente, respeitados.

Este processo da Agência Europeia do Medicamento não correu bem quase desde o início, até porque já não era nada fácil, uma vez que Portugal já cá tem duas agências sediadas. Depois foi a escolha da cidade candidata, primeiro Lisboa, depois Porto, o que tornou as hipóteses de vitória cada vez mais remotas. Não se conseguiu, agora importa andar em frente.

Se este processo servir para fazer o País pensar a sério na importância de deslocalizar serviços e atrair empresas para o interior e para os territórios de baixa densidade, já é bom. Por mim encher-me-ia de satisfação, porque é um combate que travo há muitos anos.

Mas quem ficará especialmente satisfeito serão naturalmente as populações desses territórios. Já agora, uma nota: discordei e discordo de que seja criada uma empresa pública para gestão da Floresta, decisão divulgada recentemente pelo Governo, mas se for criada que a sua sede vá, por exemplo, para o Distrito de Castelo Branco. Nesse caso, até discordarei menos.

Na verdade, é muito importante seguir-se esta rota, de maior povoamento e desenvolvimento dos territórios menos favorecidos.

Um programa destes deve merecer um consenso tão alargado quanto possível e também, ser tão pouco casuístico quanto o aconselha o sucesso que para ele se deseja. Este é um grande desígnio Nacional para os próximos anos e deve ser realizado com equilíbrio, mas também com ousadia, ao mesmo tempo que também se prossiga na concretização de um novo modelo de organização administrativa.

Temos de reconsolidar a recuperação económica, não é tempo de aventuras nem de passos em falso, nem de precipitações, seja em que domínio for, mas também no da organização territorial. Só é também verdade que o Estado não pode continuar a funcionar assim, a falhar como tem falhado, a estar longe quando deve estar perto, a ser inoperante quando tem de ser eficaz.

Obras de M. C. Escher e Mexefest
Inaugura hoje no Museu de Arte Popular uma exposição dedicada ao holandês M.C. Escher, um dos mais famosos artistas gráficos de sempre. Estarão expostas cerca de 200 obras, entre elas as famosas litografias 'Mão com Esfera Reflexiva', de 1935, e a construção impossível 'Relatividade', de 1953, nas quais podemos admirar a sua genial representação do espaço.

Também hoje, começa o Festival Vodafone Mexefest 2017, com destaque no cartaz para a Homenagem a Charles Bradley. O cantor norte-americano, que se estreou aos 62 anos com o álbum 'Time for Dreaming' chegou a estar confirmado para o Mexefest em 2016, mas acabou por falecer em Setembro desse ano vítima de doença. O documentário 'Charles Bradley: Soul of America', do realizador Poull Brien, é exibido amanhã no Cinema São Jorge.

Sortes diferentes 
Esta jornada da Liga dos Campeões teve todos os resultados possíveis para Portugal. A vitória do Sporting, de Jorge Jesus, o empate do FC Porto e a derrota do Benfica. Seria muito positivo passarem as três equipas. Para o prestígio do futebol português e para as contas de cada clube. A faltar uma jornada para finalizar a fase de grupos ainda há esperança de FC Porto e Sporting passarem aos oitavos de final. O Benfica, em contraponto, acaba por ser uma  enorme desilusão.

Protagonistas: De António Mexia a Matos Fernandes
Lua cheia
António Mexia
O presidente da EDP rejeita subida do preço da luz, demonstrando uma forte sensibilidade social. O presidente executivo da EDP disse ontem que a seca não levará ao aumento das tarifas que são definidas a nível ibérico.

Quarto crescente
Rui Moreira
Apesar de não ter sido possível trazer a Agência do Medicamento para Portugal (Amesterdão foi a cidade escolhida), vê chegar para a cidade do Porto a sede do Infarmed em 2019.

Quarto minguante
Angela Merkel
Não conseguiu chegar a acordo para governar a Alemanha. O país atravessa um período conturbado. Presidente alemão vai tentar convencer o líder do SPD a formar governo com a CDU.

Lua nova
João Matos Fernandes
O Ministro do Ambiente admite aumentar o preço da água, perante a seca sentida. É um péssimo sinal ao País. O governante recuou depois e disse que o preço da água não vai subir.
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