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Pedro Santana Lopes

As escolhas de uma líder

Os líderes não se podem enganar no caminho e nas escolhas.

Pedro Santana Lopes 20 de Janeiro de 2017 às 01:46
Ainda que outros motivos não haja, seria concebível o CDS apoiar o mesmo candidato que o PS no Porto e ter uma coligação com o PSD em Lisboa? É o que se costuma chamar "sol na eira e chuva no nabal".

Só isso justifica que Pedro Passos Coelho tenha posto de lado a hipótese de apoiar a candidatura de Assunção Cristas em Lisboa. O que é surpreendente, e que demonstra a sobrelotação do caudal informativo, é que esta razão ainda não tenha sido suficientemente apreendida, porque não quero pensar que tenha sido propositadamente esquecida.

Sabemos que o mundo anda estranho e que anda muita gente às cambalhotas mas, tal como sublinhei na passada semana a falta de sentido de o PSD apoiar ex-militantes que expulsou, também sublinho esta semana que o CDS deve respeitar a lógica da coerência que estas escolhas devem ter. Ainda por cima, o PS é o partido do Governo e o PSD é o principal partido da oposição.

Que se saiba, a estratégia das duas bossas do camelo não voltou a ser adotada no Largo do Caldas, nem nenhuma tese de equidistância entre o PSD e o PS. De qualquer modo, já foi surpreendente ouvir Assunção Cristas dizer que se, porventura, fosse eleita presidente da Câmara de Lisboa deixaria a liderança do CDS.

A questão coloca-se porque se o CDS voltar ao Governo – e presume-se que em coligação só o admita com o PSD –, o parceiro, fosse ele qual fosse, exigiria a presença do líder do CDS, seja ele quem for – neste caso da líder –, no Executivo. Ora, Assunção Cristas vem resolver esta questão, dizendo que deixaria a liderança do CDS. Ou seja, Assunção Cristas diz ao País que, entre governar Portugal ou governar Lisboa, escolheria governar Lisboa.

É interessante, mas, repito, surpreendente. É verdade que na entrevista em que fala desses temas ela assume que o líder do CDS, naquilo que tem sido a lógica do sistema partidário em Portugal, não é propriamente candidato a primeiro-ministro e, por isso, a escolha é na verdade entre ser vice-primeiro-ministro ou presidente da maior Câmara do País. Ainda assim... De qualquer modo, considero que tem toda a razão no assunto o líder do PSD e não vale a pena "chover mais no molhado".

Continuo a considerar muito interessante o percurso de Assunção Cristas. A sua intervenção no debate quinzenal desta semana – para lá dos dispensáveis insultos a António Costa – foi muito acutilante, bem construída e, o que é importante, bem expressa também em termos faciais. Assunção Cristas está a conseguir segurar as rédeas da liderança no seu partido e a convencer interna e externamente que é líder. Mas os líderes não se podem enganar no caminho e nas escolhas que fazem e, passe a presunção, fala quem sabe.

Filme com ligações à SCML
Não é apenas por ser um filme do aclamado Martins Scorsese, ‘Silêncio’ é imperdível pelo facto de se inspirar na obra de Shûsako Endô, que conta a história de dois missionários jesuítas portugueses, os padres Sebastião Rodrigues e Francisco Garrpe, que, no século XVII, partiram para o Japão em busca do seu mentor, o padre Cristóvão Ferreira, que se convertera ao budismo.

O filme estreou ontem e tem uma ligação à antiga Casa Professa de São Roque (hoje sede da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa), já que o personagem principal, Cristóvão Ferreira, entrou ainda jovem na Companhia de Jesus, onde iniciou os seus estudos, tanto em Coimbra como em Lisboa. Por isso, a SCML vai realizar várias iniciativas durante um mês, na Igreja e Museu de São Roque, subordinadas ao tema da religião cristã.

O momento do Sporting
É obviamente muito difícil o momento que o Sporting atravessa, em especial com eleições em breve. Não vai ser fácil separar os campos, mas isso era desejável. A equipa precisa de estabilidade e o plantel precisa, sem dúvida, de "emagrecer". Todos esperamos é que as dispensas contribuam mesmo para melhorar o ambiente. Antes de se falar em preparar a próxima época, há que lutar por esta, seja o primeiro ou segundo lugar no campeonato, porque o segundo dá acesso à Champions.
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