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Pedro Santana Lopes

Dom Vicente da Câmara

Uma pessoa tão distinta, na hora que parte, merece uma homenagem diferente.

Pedro Santana Lopes 3 de Junho de 2016 às 01:45
Partiu esta semana um Senhor. Conheci-o já há umas décadas e desde esse momento pude sempre comprovar tratar-se de uma pessoa à parte. Impressionava lidar com Dom Vicente da Câmara pelo seu trato, pela sua pose, pela sua categoria, pela sua classe, pela sua irrepreensível educação. Todos sabem que foi um grande fadista e que, para além disso, fez nascer uma família com várias vozes talhadas para o Fado, das quais devo destacar o seu filho José, com o qual tantas vezes, por tantos sítios deste país, cantou e encantou.

Vivemos num tempo em que muita gente já só quer saber de pouca coisa. Em que a vertigem do dia a dia impede, em muitos casos, que se aprecie o que é verdadeiramente dotado e fora do comum. Dom Vicente da Câmara era um cavalheiro nobilíssimo. Não falo da nobreza de sangue ou de ascendência, que para a República fará menos sentido. Falo da nobreza da pessoa.

Em todas as campanhas eleitorais em que participei até hoje, contei sempre com o seu apoio entusiástico, mas sempre com a irrepreensível compostura que lhe era própria. Várias pessoas da sua família ou amigos seus que encontro em diferentes ocasiões falam-me sempre do fervor que sempre colocou nesse apoio amigo às minhas posições e aos meus combates.

Sempre me apoiou, mas nunca, por nunca, esse apoio me foi lembrado, direta ou indiretamente, ao longo de todos estes anos. Nunca pediu favores, nem nunca sequer sugeriu ou mandou sugerir que fosse convidado ou escolhido para esta ou para aquela iniciativa a que eu pudesse estar ligado e na qual pudesse ter algum tipo de remuneração.

A sua remuneração era a da amizade. Pode-se dizer que isso é o normal ou que deve ser sempre assim. Só que infelizmente não é assim tão normal, o que não significa crítica ou censura a muitas pessoas que apoiam com convicção este ou aquele candidato, mas que depois também têm necessidades e muitas dificuldades na vida. E então se falarmos de artistas reformados que não têm Previdência nem puderam nunca descontar com regularidade, isso então é mais do que compreensível que, por vezes, se vejam obrigados a chamar atenção para si próprios.

Dom Vicente da Câmara era uma pessoa que usava o "Dom" e era a única – para além do candidato ao trono – que ninguém era capaz de tratar de outra maneira. Nunca ouvi tratar só pelo nome, porque ele era mesmo Dom Vicente da Câmara. E não era por acaso. Sempre ouvir dizer, em privado, nos espetáculos, quando o apresentavam, em palcos, nas televisões... Estará junto de Deus e de sua Mulher, Senhora Dona Maria Augusta.

Uma pessoa tão distinta, na hora em que parte, merece uma homenagem diferente. É o que, humildemente, lhe faço aqui neste espaço para os leitores deste jornal.

Arqueologia em Beja
Sob a terra e as águas. 20 anos de Arqueologia entre Guadiana e Sado’ é o nome da exposição que pode ser vista no Núcleo Museológico de Beja e que resulta do trabalho feito no âmbito do EFMA - Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, ao longo de duas décadas de arqueologia preventiva enquadrada nos trabalhos da construção da barragem.

A exposição resultou de uma parceria entre a Câmara de Beja, a Direção Regional de Cultura do Alentejo e a EDIA e apresenta inúmeras peças que ajudam a perceber a evolução da presença humana na região.

A Guimarães está de regresso, para a sua 29ª edição, os Festivais Gil Vicente, no Centro Cultural Vila Flor. É o principal festival de teatro vimaranense, que tem um programa composto por peças de teatro contemporâneo português.

Mergulhos
O desporto serve para grandes causas. E esta semana as seleções nacionais de futebol associaram-se à campanha pelo ‘Mergulho Seguro’, que visa alertar os mais jovens para os mergulhos em águas de que não conhecem a profundidade. Se houver esse cuidado, podem ser evitadas tragédias. Foram nobres e solidários os jogadores das seleções nacionais sub-17, de futsal, feminina e da seleção A, com Rafael Guerreiro e com o selecionador Fernando Santos.
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