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Pedro Santana Lopes

Educação e preparação

Precisa-se de mais educação e de concentração para acabar com exemplos tristes.

Pedro Santana Lopes 4 de Novembro de 2016 às 01:45
Hoje gostava de falar de dois defeitos graves na vida política, no caso, a portuguesa. Um dos defeitos tem que ver com a falta de nível no debate político. Neste caso, digo falta de nível por referência a falta de educação e a falta de respeito pelos adversários.

Infelizmente, isso não é exclusivo de Portugal, como se tem visto agora nos EUA com as intervenções de Donald Trump, que tem passado estes dias a tratar a sua adversária por a "vigarista" Hillary Clinton. Mas, por cá, ainda esta semana se ouviu falar de aldrabices, mentiras, em insinuações de desonestidade, quer ao nível do poder central, quer ao nível do poder local. A propósito dos temas mais importantes, distorcem-se as realidades e lançam-se ataques pessoais.

Há aqui uma diferença muito importante entre pessoas que estão na vida pública. Tenho para mim, e procuro dar constante testemunho disso, que em debates, em campanhas, em intervenções, podemos ser adversários, divergir, mas falar sempre com elevação e com a tal educação. Todos podemos errar, mas essa deve ser uma preocupação permanente da intervenção pública, até por causa do exemplo.

Outro defeito muito grave relaciona-se com a falta de rigor e de preparação naquilo que se faz ou naquilo que se deixa de fazer. Esta polémica da Caixa Geral de Depósitos é um bom exemplo disso, porque se o Decreto-Lei n.º 39/2016 de 28 de julho tivesse sido estudado a tempo, o que se justificaria até pela atualidade do tema, não estaríamos agora com todo este imbróglio.

Na verdade, nessa altura, a nova administração da Caixa ainda não tinha entrado em funções e, portanto, se esta polémica sobre a aceitação ou não da exceção que foi criada tivesse sido tratada em tempo, e se se tivesse chegado à conclusão de que não era possível, tinha-se evitado tudo isto.

É impressionante como a generalidade dos órgãos de soberania – excetuando os tribunais, claro – deixou este tema de lado. E mesmo a generalidade dos órgãos de comunicação social não deu por ele.

Como já disse noutro espaço, é, em certa medida, compreensível porque a questão dos salários poderia ser mais sensível. Mas se a consideram tão grave, é dificilmente aceitável que se tenha demorado tanto tempo a dar por ela. E isso só aconteceu depois da denúncia num espaço de comentário televisivo.

Precisa-se de mais educação e de mais concentração na ação política para acabar com exemplos tristes e para evitar problemas bem desagradáveis a Portugal.

Misty Fest em todo o país
É a maior edição de sempre do Misty Fest e já está a decorrer em 11 cidades do país, com 19 salas e 21 artistas nacionais e internacionais, repartidos por 35 espetáculos até ao próximo dia 13. Do Porto a Évora, passando por Loulé, Espinho, Torres Novas, Leiria, Braga ou Lisboa, são muitos os locais onde se podem ver várias atuações de "world music" e jazz, como por exemplo Enrico Rava Tribe, que atuará em Lisboa.

Entretanto, para os amantes do cinema, começa hoje mais um Lisbon & Estoril Film Festival. Esta décima edição homenageará o cineasta Jean-Luc Godard, com a exibição de uma retrospetiva integral do seu cinema e com a presença de Jean-Pierre Léaud, um dos atores a ele associados. O filme "O herói de Hackwaw Ridge", de Mel Gibson, abre esta noite o festival.

Treinadores nacionais
Estamos numa época futebolística em que os maiores clubes portugueses são todos treinados por treinadores nacionais. Rui Vitória, Jorge Jesus, Nuno Espírito, José Peseiro, Pedro Martins são os testemunhos de uma mudança muito significativa que aconteceu em Portugal. Aliás, mal seria se assim não fosse, quando os treinadores portugueses são cada vez mais considerados dos melhores entre os melhores.
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