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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Pedro Santana Lopes

Empreitada Nacional

O Estado é um mau gestor e não é por mudar de orgânica que isto passa a correr melhor.

Pedro Santana Lopes 17 de Novembro de 2017 às 00:31
Este fim de semana tive oportunidade de visitar os concelhos da Pampilhosa da Serra e de Arganil. As visitas foram inseridas no âmbito da campanha que lidero, mas este texto, como tenho procurado fazer nestas semanas, é independente dessa circunstância.

O que vi comoveu-me, como, estou certo, comoverá qualquer Português, ou mesmo cidadãos de outras nacionalidades.

São montanhas e montanhas de quilómetros e quilómetros de terra calcinada. Calcinada a tal ponto que só se vê negro e, em muitos sítios de grande extensão, não se vê um único ramo verde. Trata-se de património nacional, também ele destruído depois de tanto valor que o País tem perdido ao longo dos últimos anos.

Por atos criminosos ou não, Portugal tem perdido muito valor nalgumas das suas principais empresas, no setor financeiro e, neste caso, no seu património natural. Todas as pessoas de Lisboa, onde estão os principais centros de decisão, deviam ser "obrigadas" a irem ao local ver o que se passou com estes territórios.

Para além desses Portugueses, também os outros de territórios, felizmente não atingidos por estes dramas, deviam ir lá para assim poderem compreender o esforço nacional que vai ser necessário, nomeadamente em termos financeiros.

As televisões e a imprensa escrita, por mais que reportem, não conseguem mostrar tudo o que se passou.

O processo de recuperação e de reconstrução vai exigir muito. Só a reflorestação vai ser uma obra gigantesca e tem que ser muito bem conduzida com a indispensável participação dos autarcas, que conhecem, melhor do que ninguém, as suas terras.

Exige-se que todos os concelhos sejam tratados sem discriminação independentemente do mês em que aconteceram os incêndios mais graves.

Não passa pela cabeça de ninguém, e eu também rejeito essa possibilidade que, nomeadamente nesta matéria, existam discriminações no tratamento de autarquias em função da cor partidária. Penso aliás, e quero reiterá-lo, que as atribuições e competências em matéria de prevenção deviam passar para as autarquias, com os poderes coletivos inerentes.

Não acredito, nem pouco mais ou menos, que a hipótese de criação de uma empresa pública para gerir as florestas, seja um caminho acertado. Precisamos de tudo menos de mais empresas públicas.

O estado tem de diminuir de peso, o estado é mau gestor e não é por mudar a orgânica a nível central que isto passa a correr melhor.

Imperdível
Exposição
Madeira: Ilhas do Ouro Branco
Está patente desde ontem a exposição As Ilhas do Ouro Branco. Uma narrativa que conta a história de como a partir da introdução do cultivo da cana de açúcar na Madeira se desenvolveu uma elite financeira que adquiriu uma quantidade excecional de variadas obras de arte - desde a pintura à escultura e ourivesaria.

Numa das salas podem conhecer-se as mais destacadas obras-primas encomendadas primeiro à Flandres, depois a Lisboa, que espelham a riqueza do património dos séculos XV e XVI, resultante do esplendor cultural proporcionado pelo ciclo económico do "ouro branco".

A exposição pode ser visitada até 18 de março no Museu Nacional de Arte Antiga e assinala o arranque do ciclo das Comemorações dos 600 anos da descoberta da Madeira, cuja colonização serviu de balão de ensaio para a Expansão Portuguesa.

Canto curto
Sporting
Boa decisão de Jorge Jesus
Grande decisão do treinador, Jorge Jesus, em recuperar Bryan Ruiz. Este grande jogador que estava sem jogar, desde a época passada, e que teve a humildade de dizer que estava com vontade de ser campeão pelo Sporting Clube de Portugal, é um reforço inesperado, numa fase em que o calendário aponta para jogos complicados e o mercado de transferências ainda não abriu. Que seja o Bryan Ruiz que nos habituámos a ver na sua primeira época.

De Carlos Silva a Robert Mugabe
LUA CHEIA
Carlos Silva
O líder da UGT concedeu uma entrevista muito sensata e de bom senso sobre a polémica em torno do descongelamento das carreiras dos professores. A concertação social precisa de um clima de consenso.

QUARTO CRESCENTE
Nuno Amado
Os resultados positivos do BCP, que apresentou lucros de 133,3 milhões, demonstram uma boa gestão e um regresso da saúde financeira de um Banco fundamental para a nossa economia.

QUARTO MINGUANTE
Augusto Santos Silva
Apesar de dizer que o País integrará a força, Portugal não esteve presente na assinatura da notificação para a criação de uma estrutura permanente na área da defesa europeia. Lamento.

LUA NOVA
Robert Mugabe
O recente golpe de estado no Zimbabwe é um momento de viragem. Depois de décadas no poder, finalmente este país africano acalenta uma nova esperança para o seu futuro.
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