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Pedro Santana Lopes

Guterres e Marcelo

É de facto uma tarefa fascinante. E acredito que se sinta vocacionado para ela.

Pedro Santana Lopes 7 de Outubro de 2016 às 00:30
Gostaria de lembrar hoje um facto de que quase não se tem falado nesta circunstância de grande entusiasmo com a escolha de António Guterres para Secretário-Geral da ONU. Lembram-se aqui há um, dois anos, quando se falava sobre a hipótese de António Guterres ser candidato à Presidência da República? Na altura, adiantava-se a hipótese de António Guterres não ir para Belém por ter na mira o cargo de Secretário-Geral da ONU.

Depois, houve várias fases, umas em que se dizia que ele já não tinha hipótese ou que o seu mandato como Alto Comissário para os Refugiados não acabaria a tempo. Noutras fases, dizia-se que sim, que ele até saiu mais cedo do cargo que ocupava para preparar a sua candidatura ao lugar cimeiro da ONU. Mas ao certo ao certo, ninguém sabia bem como as coisas se iam passar. Estou convencido, aliás, que nem sequer havia muita certeza sobre os termos do processo de escolha, se seria, como foi, diferente dos anteriores ou se seria, mais ou menos, parecido, acabando numa escolha das duas superpotências.

António Guterres foi esperando, foi trabalhando, foi viajando, foi contactando os pontos mais importantes do mundo para fazer tudo o que estivesse ao seu alcance. Durante estes meses, estive com ele em cerimónias públicas uma ou duas vezes e senti uma enorme tranquilidade da sua parte. O que é importante reter é que ele fixou um objetivo e prosseguiu com determinação, nunca tendo vacilado, mesmo quando as hipóteses pareciam diminuir. Mas é agora bem claro que António Guterres queria mesmo ser Secretário-Geral da ONU.

Tive ocasião de o criticar numa declaração em janeiro de 2015, em que disse que gostava de compreender alguém que pusesse um cargo internacional à frente da suprema honra de ser Presidente da República do seu País. Mantenho a dúvida, mas retiro a crítica. É de facto uma tarefa fascinante e pelo percurso de vida de António Guterres, acredito que se sinta vocacionado para ela. Católico convicto, gosta de ajudar os mais desfavorecidos, fazer a paz e ajudar quem precisa.
É curioso o destino que leva a que dois amigos de juventude, dois homens com a mesma idade, cheguem quase ao mesmo tempo, um a Presidente da República, outro a Secretário-Geral da ONU.

Marcelo Rebelo de Sousa sempre disse, com humildade, que Guterres era o melhor da sua geração e sabia que se ele fosse candidato poderia não ter sido eleito. O eleito foi Marcelo e está a ser um Presidente que a generalidade dos portugueses muito está a apreciar. Marcelo, aliás, parece ter mesmo estrelinha: desde que é Presidente, Portugal e os portugueses ganham as competições em que se envolvem. Oxalá ganhemos também duas bem importantes, a do desenvolvimento económico e a da justiça social.
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