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Pedro Santana Lopes

Os limites presidenciais

Quando sugiro que Marcelo deve guardar silêncio sobre esse tema é para bem do próprio.

Pedro Santana Lopes 9 de Dezembro de 2016 às 01:47
Às vezes a vida política tem situações que não têm graça alguma. Mas, de vez em quando, tem umas que fazem sorrir. Esta semana, eu disse no meu debate semanal com António Vitorino na SIC Notícias que o Presidente da República não devia continuar a falar sobre a Caixa Geral de Depósitos por ser matéria, em princípio, da esfera do Governo ou do Parlamento.

É evidente que o Presidente pode falar sobre tudo, desde política externa a gastronomia, passando pelo ténis e indo até ao sistema bancário. Mas isso, todos podem, o presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro e quem mais conseguir ter acesso aos meios de comunicação social. Mas a questão não é se pode, é se deve. E quando sugiro que deve guardar silêncio sobre esse tema é para bem do próprio e não por qualquer consideração das suas muitas qualidades.

Já no outro dia falou sobre o seu próprio ordenado, dizendo que o Presidente ganha pouco. O que fez lembrar aquela declaração de Cavaco Silva que o tanto prejudicou. Agora, o Presidente anda a falar sobre vencimentos de gestores… Pode eventualmente vetar um diploma e fundamentar a sua posição, mas julgo que não deve andar no debate público, dia sim, dia não, a falar sobre matérias como essa.

Noutras matérias, como tive ocasião de sublinhar, o Presidente da República tem feito muito bem ao país e, ainda há poucas semanas, impressionou bastante a visita que fez à ala pediátrica do IPO, e ouvi relatos de dirigentes daquela instituição sobre o enorme sentido humanitário de Marcelo Rebelo de Sousa.

Se conseguir encontrar o devido equilíbrio nos limites até onde deve intervir, pode ir mantendo os enormes níveis de popularidade que tem. Se continuar a ir para além do aconselhável, um dia destes tudo se pode alterar nessa matéria.

Comecei este texto a falar em situações que têm graça na vida política e teve muita graça ouvir Marcelo Rebelo de Sousa, quando perguntado sobre essas minhas palavras, a recomendar que guardasse silêncio sobre a Caixa Geral de Depósitos, ter respondido: "Não comento comentadores." Extraordinário!

Livros sobre a religião Católica
Estou a ler dois livros recentemente vindos à estampa sobre a religião Católica, a história mais distante ou mais recente, e o mundo. Um deles é do Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, tem o título ‘Joga-se aqui o essencial – Um olhar sobre o que somos’ e procura interpretar e relacionar situações, factos e emoções em diferentes tempos da história, nomeadamente, entre o Estado e a Igreja.

O outro livro, ‘Francisco Sá Carneiro: Um Católico na Política’, de Fernando Gomes Perpétua, estuda a personalidade de Sá Carneiro e a sua intervenção política à luz da sua fé, sublinhando a importância que os ensinamentos da religião, e da doutrina personalista, tiveram na sua ação, como homem, cidadão e político. Leituras que ajudam a sistematizar linhas de raciocínio na avaliação da realidade contemporânea.

Treinadores sob pressão
O grupo do Sporting era muito difícil, mas dizer que o Légia Varsóvia marcou muitos golos a outras equipas não é desculpa. E já que Jorge Jesus traçou objetivos para alcançar em Portugal, fica-se à espera. O treinador do Benfica também não parece em fase muito positiva, pelo que se aguarda se mudará a equipa no grande jogo de domingo. Já o treinador do FC Porto fez tudo para merecer a alegria que teve com a vitória larga sobre um campeão inglês que está a fazer uma péssima época.
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