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Pedro Santana Lopes

Paciência de Jó

Pensar na Câmara e na cidade em que nasci mexe muito com as minhas emoções.

Pedro Santana Lopes 22 de Julho de 2016 às 01:45
Como é público, divulguei no passado fim de semana uma posição sobre desafios que me têm sido colocados para as próximas eleições autárquicas, nomeadamente para a Câmara Municipal de Lisboa. Pensar na Câmara e em trabalho na cidade em que nasci é sempre algo que mexe muito com as minhas emoções.

E mexe hoje, tanto mais quando durante dez anos eu próprio e vários membros da minha equipa fomos objeto de várias notícias, de vários inquéritos e processos sobre aqueles anos da equipa que eu liderei e da equipa liderada por Carmona Rodrigues.

É bom dizer que em séculos de vida da Câmara e, nomeadamente, em décadas de regime democrático só estes anos é que mereceram suspeitas e acusações de terem estado à frente do Município pessoas não íntegras, não sérias. Nunca houve a mínima suspeita em relação a mais ninguém, nem antes nem depois de lá termos exercido funções.

Como é bom ter-se ar de santo e como é desagradável ter imagem de pecador/a. Houve pessoas muito mais incomodadas do que eu, que fui arguido só num processo e só em fase de inquérito, nunca tendo chegado sequer a ser acusado em nenhum deles.

Para não falar do processo interposto em 2007, sobre o qual foi conhecida esta semana a decisão do Tribunal da Relação relativa à indemnização por difamação e calúnias graves ao tempo que exerci as funções de Primeiro-Ministro.

Mas, voltando aos processos relacionados com a Câmara, outras pessoas foram arguidas, acusadas, pronunciadas e sujeitas a julgamentos vários durante anos. Sei bem o que passaram algumas delas, porque com outras o contacto cessou.

Chegou-se ao final de todos os processos, que foram dezenas, e nenhum ato de gestão foi considerado indevido. Houve uma condenação por uma gestão de prémios da EPUL, mas num tempo em que eu já não estava na Câmara. O Procurador-Geral à época criou uma unidade anticorrupção especial para investigar aqueles anos na CML. Face ao que sei da Câmara antes e depois, posso dizer que essa desigualdade de tratamento constituiu um enorme ato de injustiça.

Foram dez anos e, nalguns casos, com a vida profissional estragada, e noutros, mesmo, com a saúde muitíssimo prejudicada. Durante esses anos, da minha parte, não fiz um único comentário depreciativo, uma única censura, uma única crítica à atuação da Justiça. Continuo a não o fazer. Mas sinto uma profunda tristeza por determinadas situações que se passam no Estado de Direito. É difícil de garantir que na posição que recentemente divulguei não tenham pesado também as memórias destes dez anos.

Por vezes, ser democrata, acreditar no império da Lei, acreditar que os Direitos, Liberdades e Garantias inscritos na Constituição são mesmo para levar a sério requer um grande estoicismo.

Música do mundo em Sines
Começa hoje mais uma edição do Festival Músicas do Mundo, um evento cultural que se foi afirmando ao longo dos seus 18 anos, sendo hoje uma referência para quem gosta e procura os sons da "world music".

Este ano o festival começa em Porto Covo, na Costa Alentejana, e na segunda-feira muda-se para a cidade de Sines. Até ao próximo dia 30 vão realizar-se 47 concertos, com cerca de duas dezenas de estreias em Portugal.

Também em ambiente de música, Milhões de Festa é o nome do festival que está a decorrer durante este fim de semana em Barcelos, no distrito de Braga, e que já vai na sua 9ª edição, dedicado à música alternativa, abrangendo um cartaz muito eclético e que conta com artistas nacionais e de várias partes do mundo.

Seleção Sub-21 merece apoio
Rui Jorge, selecionador dos Sub-21 e da equipa Olímpica, tem-se revelado, além de um treinador competente, um homem sensato. Cumpre salientar que geriu com notável paciência todo o processo da convocatória de jogadores para os Jogos.

Leva uma seleção de segundas e terceiras escolhas, mas que têm oportunidade de se valorizarem e no futuro tornarem-se primeiras. A Seleção merece apoio e uma dose maior de simpatia pelas vicissitudes que rodearam este processo.
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