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Pedro Santana Lopes

Palácio da Ajuda

Não vou entrar numa discussão da taxa ou ‘taxinha’ porque nunca o fiz e interessa pouco.

Pedro Santana Lopes 23 de Setembro de 2016 às 01:45
Quero deixar bem claro que me congratulo com a anunciada intenção de se concluir, finalmente, o Palácio da Ajuda. O que a seguir se esclarece não tem, pois, nada de confrontação, de disputa política, nem envolve qualquer crítica. Visa, tão-só, cumprir o dever de esclarecer a verdade. Não vou entrar na discussão da taxa ou da ‘taxinha’, porque nunca o fiz e interessa-me pouco. Aliás, para além dessa taxa ou ‘taxinha’, há outras, como as que resultam, por exemplo, das receitas do Casino de Lisboa. Mas, passemos adiante.

Na cerimónia de apresentação foi referido pelos protagonistas que, antes, tinha havido só palavras de quem tinha estado no governos e que, agora, finalmente, íamos entrar nos atos. Como durante cerca de cinco anos fui responsável pela pasta da Cultura, enquanto Secretário de Estado (não existia Ministério), sinto-me no dever de esclarecer.

No início da década de 90, quando tomei posse, constatei que tinha sido encomendado, pela minha antecessora Teresa Patrício Gouveia, um estudo prévio sobre a conclusão do Palácio da Ajuda ao arquiteto Gonçalo Byrne. Os honorários previstos para o estudo eram de 100 mil contos, ou seja, meio milhão de euros. Isto ainda no final da década de 80.

Tomei posse a 9 de janeiro de 1990 e o contrato já vinha do ano anterior. Eu próprio, muito por impulso da então diretora do Palácio, a muito competente e dedicada Isabel Silveira Godinho, procurei levar por diante o projeto, que, com franqueza, considerava corresponder à mais bonita obra de todas as que podiam ser feitas na área do Património.

Julgo que em 1992, o então presidente da Câmara de Lisboa, Jorge Sampaio, convidou também o arquiteto Gonçalo Byrne para se encarregar do plano de recuperação da zona envolvente do Palácio da Ajuda. O desenvolvimento desse plano foi interrompido na presidência de João Soares e eu retomei-o em 2002.

A intervenção tinha toda ela uma lógica que era dirigida por um arquiteto de grande renome, como é o de Gonçalo Byrne. Estava em causa o Palácio, o espaço para a exposição permanente das Joias da Coroa, o Pátio das Damas, os jardins e o rebaixamento da Calçada da Ajuda. Ainda como presidente da CML, proibi um projeto que vinha do executivo anterior, que previa a construção de vários prédios na zona fronteira ao Palácio, prejudicando o horizonte de vistas.

Portanto, houve atos e os atos que eram necessários para a obra ir por diante. A acompanhar este texto vem a fotografia de uma visita do então Presidente Mário Soares, comigo, Gonçalo Byrne e com o assessor do Presidente, José Manuel dos Santos, à maquete resultante do trabalho já desenvolvido pelo arquiteto.

Porque é que os atos não se consumaram? Porque não terá ido por diante? Por uma razão simples: quando assumiu funções, o novo responsável pela Cultura, o ministro Manuel Maria Carrilho, considerou a obra como dispensável ou secundária, ou algo do género, tendo determinada a suspensão do processo (poderá continuar na próxima semana).


Jornadas do Património
De hoje a domingo realizam-se as Jornadas Europeias do Património, este ano dedicadas ao tema Comunidades e Cultura.
São várias as iniciativas que se vão realizar em diferentes cidades do país, tais como Alcobaça, Lisboa, Peso da Régua, Santa Maria da Feira, Nazaré, Barreiro, Lagos, Guimarães, Caldas da Rainha, entre outras.

Também, mais uma vez, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa se associou a estas jornadas, com a Igreja e o Museu de São Roque a proporcionarem várias atividades gratuitas, incluindo música, dança, gastronomia, uma palestra e uma exposição de fotografias, dedicadas à comunidade de Goa, à qual a Casa Professa da Companhia de Jesus tem uma forte ligação, designadamente através da figura de São Francisco Xavier.


Daniel Ramos no Marítimo
O futebol às vezes tem situações bem curiosas. O Santa Clara, que tem vindo a fazer uma grande prova na Liga de Honra, que tem liderado, ficou, de repente, sem o seu treinador, que vai mudar de arquipélago, para a Madeira e para o Marítimo.

Na verdade, este clube dispensou o seu técnico e rendeu-se aos méritos do pouco conhecido treinador português que treinava o Santa Clara. Estaremos perante um novo grande treinador? E que difícil missão a do seu sucessor.
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