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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Pedro Santana Lopes

Para memória futura

Ninguém contava com a vitória da coligação. Eu disse que não ia ser tão difícil em 2013.

Pedro Santana Lopes 9 de Outubro de 2015 às 00:30
Quando as eleições passam, tudo o que aconteceu antes parece que já não importa e é de algum modo esquecido. Mas eu faço questão de sublinhar, neste primeiro artigo depois das eleições, que fui o único comentador ou analista com espaço semanal em televisões portuguesas da área da coligação do Governo que ousou, na grande maioria das vezes, defender ou tentar compreender e explicar as políticas do Governo. Entre fevereiro de 2011 e março de 2013 na TVI24, no programa ‘Prova dos Nove’, com Fernando Rosas, o saudoso Medeiros Ferreira ou Francisco Assis, sob a moderação de Constança Cunha e Sá, entre março de 2013 e outubro de 2014 na CMTV, com a moderação de José Carlos Castro, e desde novembro de 2014 na SICN, na companhia de António Vitorino, com a moderação de Ana Lourenço.

Por razões e lógicas diferentes, foram e são três espaços de opinião de grande responsabilidade e especialmente exigentes. Nos programas em que tenho tido companheiros de painel, tive e tenho a sorte de contar com parceiros de debate de grande qualidade e com jornalistas muito prestigiados, como entrevistadores ou moderadores. Mas a verdade é que o tom e o conteúdo dos meus comentários em relação ao Governo foram completamente diferentes do das outras pessoas da área da coligação que têm espaços semanais, quase todas ex-presidentes do PSD. É verdade que durante todo esse período ninguém contava com a vitória eleitoral da coligação, mas não acredito que seja essa a razão. Pela minha parte, disse a José Carlos Castro: "Estou a dizer isto a 9 de dezembro de 2013: se a economia continuar assim, eu não sei se as legislativas vão ser tão difíceis para Passos Coelho quanto parece. Se a economia continuar com este percurso, devagarinho, devagarinho, mas a subir. Se não piorar e se as coisas forem melhorando um bocadinho (...), eu não sei se vai ser assim tão difícil." Mais tarde, reiterei-o no mesmo espaço e, quando perguntado se tinha essa ideia mesmo com António Costa na corrida, disse que sim, com a condição de se verificar o início da recuperação económica.

Alguns desses comentadores não esconderam mesmo o seu abatimento perante a iminência da vitória da coligação, e houve um caso em que se tentou começar a explicar a tese de um possível governo à esquerda, tentativa que só esmoreceu quando o diretor da estação e jornalistas em estúdio consideraram a hipótese uma absoluta mistificação.

Aqui fica o devido registo para memória futura.

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Imperdível: Marionetas e jogos de poder
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Canto Curto: Limpeza na FIFA
O futebol vive tempos de mudança e limpeza de processos e atitudes censuráveis. O que se está a passar na FIFA mostra que muito terá de mudar. Qualquer espetáculo que o seja e, naturalmente, um que seja público, tem de respeitar valores da honestidade e transparência. Mas não é só na FIFA que os ventos de limpeza sopram, pois também Platini terá dificuldade em explicar o que já assumiu: um voluptuoso pagamento por estudos que, por muito importantes que sejam, não mais do que isso. 
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