Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
5
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Pedro Santana Lopes

Tirar partido da proximidade

Nós e os marroquinos somos muito próximos.

Pedro Santana Lopes 16 de Agosto de 2015 às 00:30

Antes de me encontrar com Sua Majestade, o Rei de Marrocos, Mohammed VI, na cidade de Nova Iorque em setembro de 2004, tinha visitado oficialmente aquele país do norte de África em maio de 1992. Na altura, reinava em Marrocos ainda Hassan II, pai de Mohammed VI. Fiz essa visita enquanto secretário de Estado da Cultura e era ministro da Cultura em Marrocos, Mohamed Benaissa, uma personalidade muito influente que depois foi embaixador desse país em Washington.


As visitas oficiais dos membros do Governo responsáveis pela área da Cultura têm esse privilégio: normalmente levam-nos a visitar tesouros, áreas de monumentos ou outros bens patrimoniais mais reservados e que não estão acessíveis ao comum dos visitantes. Nessa visita a Rabat, capital do Reino, pude visitar o imponentíssimo Mausoléu de Mohammed V (pai de Hassan II), uma obra cheia de significado para os marroquinos que já na altura muito se orgulhavam dela.


Marrocos e Portugal têm uma relação muito mais distante do que seria natural. Depois deste encontro em Nova Iorque, com o novo Rei de Marrocos, ainda tive oportunidade de receber o primeiro-ministro daquele país, Driss Jettou, na VIII Cimeira Luso-marroquina, que se realizou no Palácio da Vila, em Sintra, cerca de dois meses depois.


Os portugueses que vão a Marrocos têm certamente a oportunidade de confirmar como os marroquinos e nós somos muito mais próximos, mesmo fisicamente, do que às vezes se pode imaginar. É um país civilizado, procura funcionar sob as regras das democracias europeias e tendo uma posição estratégica privilegiada, pertencendo ao mundo muçulmano, consegue manter uma postura equilibrada de relacionamento com as várias forças geoestratégicas do mundo.


Desde há cerca de 20 anos que as relações económicas entre Portugal e Marrocos passaram a desenvolver-se de forma mais significativa, mas há ainda muito caminho por desbravar. A história poderá explicar, mas a explicação nunca será suficiente para nos fazer compreender o quanto temos vivido de costas voltadas, sendo países tão próximos. A aproximação a Marrocos insere-se estrategicamente no aprofundamento de laços com os países do Magrebe, onde se incluem também a Argélia e a Tunísia.  


O Rei Mohammed VI que tive o privilégio de conhecer nesse encontro em Nova Iorque estava ainda nos primeiros tempos do seu reinado, mas podia-se confirmar, numa conversa como aquela que tivemos, o seu enorme grau de preparação para as funções que assumiu e o seu conhecimento dos dossiês da realidade do seu país. Não é fácil governar um Estado com uma realidade política e cultural tão variada nas suas influências e nas suas componentes. Mas a verdade é que o Rei Mohammed VI tem continuado o trabalho dos seus antecessores, nomeadamente do Rei Hassan II, seu pai, no sentido de garantir o funcionamento da democracia, do Estado de direito e também do desenvolvimento económico.


Marrocos vive em paz, aberto ao mundo, com uma sociedade tolerante, num país com uma natureza muito rica e diversificada, cada vez mais procurada por turistas de todo o mundo.

Ver comentários