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Pedro Santana Lopes

Um debate razoável

O debate, de facto, não correu bem a Teresa Leal Coelho. Pode acontecer a todos.

Pedro Santana Lopes 1 de Setembro de 2017 às 00:31
O debate realizado na SIC entre os candidatos à Câmara de Lisboa merece algumas considerações. Não sei como foi feita a distribuição dos lugares, mas o facto de Teresa Leal Coelho estar sentada ao lado de Fernando Medina não favoreceu a possibilidade de ser ela a ‘challenger’ do atual autarca. São pormenores mas, às vezes, contam muito.

Os dois candidatos da esquerda estiveram bem, diria mesmo que bastante bem. No caso do candidato do PCP foi a melhor intervenção televisiva que lhe ouvi, conciliando simultaneamente atenção às intervenções dos outros candidatos, interrompendo as candidatas do PSD e do CDS-PP sempre que atacavam o atual executivo camarário – mantendo pois abertas as portas para um entendimento pós-eleitoral – e com uma solidez serena na argumentação.

O candidato do BE foi uma agradável surpresa. A esse propósito é curioso notar como o Bloco nunca descura a parte estética pois se repararmos nos outdoors espalhados pela cidade de Lisboa, a cor de fundo dos cartazes é a mesma que a cor dos olhos do candidato. É interessante, lá está, um pormenor que parece insignificante, mas volto a dizer: muitas vezes os pormenores fazem a diferença. Tem uma imagem televisiva simpática, um modo de se exprimir agradável mas principalmente demonstrou ter-se preparado, o que é sempre importante.

Cristas esteve bem, esteve mesmo até bastante bem. Para além de algum facciosismo partidário, esteve serena, com uma boa imagem, bem preparada, e o facto de estar à frente de Fernando Medina logo lhe deu a tal posição que podia ter sido de Teresa Leal Coelho. Invetivou bastante o atual presidente da CML e o saldo da sua participação no debate tem que se considerar francamente positivo.

Fernando Medina, como ele disse, estava um pouco no papel de um contra quatro, mas que é normal para quem representa a força política que há dez anos está no poder. Esteve mais na defensiva, mas esteve sereno, calmo, também de expressão agradável, nunca se tendo irritado e não se expondo em demasia.

Teresa Leal Coelho teve contra si todos os outros participantes – exceto Assunção Cristas -, incluindo o moderador, que foi muito menos simpático com ela. Aliás, julgo que, no final, Rodrigo Guedes de Carvalho deu por isso e procurou ser um pouco mais simpático com a candidata. O debate, de facto, não correu bem à candidata. Pode acontecer a todos. Teresa Leal Coelho não conseguiu demonstrar a sua preparação, era frequentemente interrompida, enfim, não foi bom. Aquilo que se exige à candidata do PSD é que esteja presente no terreno, faça propostas, sistematize mais o seu discurso, defina melhor as suas prioridades.

Foi um bom debate. Pena é que durante alguns anos os órgãos de comunicação social não tenham dado a devida importância às eleições autárquicas. Umas vezes deram, outras não. Vá-se lá saber porquê, se é que não se sabe.

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