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Pedro Santana Lopes

Um novo ciclo

Depois do que se passou, se Portugal não mudasse algo de errado se passaria.

Pedro Santana Lopes 20 de Outubro de 2017 às 00:30

O Presidente da República foi muito claro ao empenhar a sua palavra e o êxito do seu mandato na exigência permanente pelo trabalho dedicado, lúcido e eficaz, para se conseguirem os entendimentos necessários para um novo ciclo, que vá diminuindo, drasticamente, as possibilidades de ocorrência de tragédias por causa dos fogos florestais.

Na minha opinião, o Presidente da República cumpriu bem o seu papel. Na verdade, quando os governos, por uma razão ou por outra, estejam com dificuldades em atuar perante situações complexas, pode caber a um chefe de Estado ser detonador da solução.

Não quero nesta fase em que me encontro, a dois dias da apresentação da minha candidatura à liderança do PPD-PSD, entrar em juízos valorativos sobre a atuação do Governo. Já tive ocasião de dizer que o Presidente da República foi a voz da consciência nacional e com essa concordância expresso a minha posição sobre o tema.

Para além do pesar solidário que todos sentimos pelas famílias atingidas pela tragédia, todos certamente comungamos da exigência manifestada pelo Presidente de que esta matéria deixe, de uma vez por todas, de ser sazonal. Depois de tudo o que aconteceu, se Portugal não mudasse radicalmente a sua maneira de encarar esta realidade, algo de muito errado se passaria com o país.

Um dos símbolos mais elucidativos do que tudo isto representa para Portugal, para além das vidas que se perderam, foi a destruição do Pinhal de Leiria que, sem dúvida nenhuma, nos violenta na nossa identidade enquanto Nação. Ler então que há cerca de uma década não era feita uma limpeza devida ao Pinhal, é algo que ultrapassa qualquer capacidade de compreensão.

Há muito por reerguer, incluindo a estrutura psicológica de muitos seres humanos. As Instituições Particulares de Solidariedade Social têm um papel muito importante a desempenhar aqui. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) certamente estará no terreno, como também tem estado na região de Pedrógão.

Falo no trabalho que a SCML pode desenvolver no apoio às populações, com o à vontade decorrente do facto de hoje, sexta-feira, cessar funções enquanto Provedor desta extraordinária Instituição. Saio mais cedo do que tinha sido estipulado com o Governo – por serem sempre necessários alguns dias ou semanas para passar a pasta de tantas situações exigentes, importantes e/ou complexas, porque, como referi, apresento domingo a candidatura à liderança do partido em que milito.

Não quero que existam confusões, as águas têm de estar bem separadas desde o primeiro dia, para assim estar plenamente livre para percorrer o caminho que tenho pela frente. Estou certo de que os próximos 519 anos da Misericórdia de Lisboa serão ainda melhor sucedidos do que os anteriores, que já a tornaram numa instituição de referência e um ator fundamental na sociedade portuguesa.

Documentários e literatura
Dedicado ao cinema documental, já está a decorrer o Doclisboa, que vai na 15ª edição e este ano apresenta dezenas de filmes que podem ser vistos no Cinema São Jorge, Cinemateca, Culturgest, Cinema Ideal, Museu Coleção Berardo e Museu do Oriente. Há vários ciclos temáticos, as competições internacional e nacional e algumas retrospetivas.

Também já começou mais uma edição do Folio - Festival Literário Internacional de Óbidos, tendo este ano como tema 0 ‘Revoltas, Revoluções e Rebeldias’. São 11 dias dedicados à literatura, com inúmeras iniciativas, entre as quais mesas redondas e tertúlias, a decorrer dentro das muralhas. Marcam presença autores de 14 países, com os quais o público pode conversar. O Folio deste ano terá ainda música e uma iniciativa paralela sobre vinhos, o Óbidos Wine Fest.

Escolhas arriscadas
O treinador do Benfica teve coragem no lançamento de novos valores frente ao Man. United. Essas apostas, no geral, até provaram. A questão é se devem ser feitas na Liga dos Campeões e num jogo tão difícil.

O mesmo raciocínio se aplica a Sérgio Conceição, que lançou na Alemanha um guarda-redes novo. Fala-se nos experimentalismos ou na mania de inventar de Jorge Jesus, mas, pelos vistos, está a ser copiado ou mesmo ultrapassado.

Da Administração Interna a Belém
Lua Cheia
Marcelo Rebelo de Sousa
No tempo certo, depois de estabilizada a situação, o Presidente da República falou como tinha de falar e disse o que tinha de ser dito. Não foi oposição. Marcelo Rebelo de Sousa foi voz da Nação.

Quarto Crescente
António Ramalho
Depois de um processo muito difícil e exigente, o presidente do Novo Banco conseguiu levar a nau a bom porto e parece certo que continuará nas mesmas funções após a venda ao fundo Lone Star.

Quarto Minguante
Carles Puigdemont
Olhando para o que se passa em Barcelona, depois de uma espécie de referendo e de uma aguardada declaração política, cada vez se percebe menos a lógica das atitudes do presidente regional catalão.

Lua Nova
Constança Urbano de Sousa
Sem querer atacar quem já está em "baixo", a demissionária ministra da Administração Interna fica, sem dúvida, ligada a meses de acontecimentos trágicos sem precedentes.

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