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Pedro Santana Lopes

Um político surpreendente

Rajoy estava surpreendido pois até as sondagens da TV pública se enganaram.

Pedro Santana Lopes 1 de Julho de 2016 às 00:30
Avitória de Mariano Rajoy dá que pensar. Mesmo sem ser uma maioria absoluta, tratou-se de uma grande vitória. Tudo soava a que a convergência do Podemos com a Esquerda Unida lhes ia permitir alcançar progressos extraordinários. Falharam as sondagens, falharam os prognósticos, falhou também muita opinião publicada e difundida. O Podemos e a Esquerda Unida juntos tiveram, genericamente, o mesmo número de deputados que o Podemos sozinho aqui há seis meses. O PSOE teve o seu pior resultado de sempre e mesmo assim ficou à frente dessa coligação.

Rajoy, apesar da crise económica, apesar das dificuldades dos nacionalismos, dos escândalos de corrupção e outros, como o do seu ministro do Interior, de quem foram conhecidas escutas comprometedoras, a tudo Mariano Rajoy foi imune. E, na verdade, ninguém poderá negar a Rajoy o direito a governar, pois se houve repetição de eleições por causa de um bloqueio na formação de um Governo e ele foi o único dos grandes partidos que subiu… A mais elementar obrigação democrática mandaria que os dirigentes dos restantes partidos, logo na noite eleitoral, tivessem reconhecido esse direito.

Quer Pedro Sánchez, quer Alberto Rivera disseram que tinham falado a Rajoy para lhe dar os parabéns. Mas o mais importante, na minha opinião, era que tivessem descansado os espanhóis e facilitado a vida ao Rei, reconhecendo que Rajoy devia ser chamado a formar Governo. Outra questão é a dos acordos políticos que contribuíssem para viabilizar o Executivo que poderia exigir negociações. Bonito seria terem garantindo que não tinham dúvidas de que a crise não se podia prolongar.

Como se pôde comprovar na noite das eleições, até Mariano Rajoy estava surpreendido com os resultados, porque até as sondagens da televisão pública se enganaram. No seu discurso, Rajoy quase não dizia coisa com coisa e a todos fez lembrar que de carismático não tem nada. O que a vitória de Rajoy faz pensar é na importância que se dá a certo tipo de campanhas.

Rajoy não lhes liga e parece que, digam o que disserem, se mantém impassível no seu posto. Não quer dizer que não tenha tido casos já muito complicados, nomeadamente no plano da corrupção no seu partido, mas ele entendeu sempre que, não tendo feito nada de errado, não deveria ceder o posto. E também não cedeu o posto quando, na sequência das eleições de dezembro, os dirigentes dos outros partidos disseram que poderiam talvez viabilizar um Governo do PP se fosse outro líder.

Rajoy transmite assim a noção de que quer terminar o seu trabalho, a sua missão. Trata-se de um líder de eficácia algo misteriosa e cuja indiferença aos ataques dá muito que pensar na época em que vivemos.

Bragança e Elvas em festa
Já faltam poucos dias para começar mais uma edição do Quintanilha Rock, um festival de música alternativa que se realiza junto à fronteira com Espanha no concelho de Bragança. Mais uma vez, a aldeia de Quintanilha, no Parque Natural de Montesinho, vai receber milhares de pessoas que vão poder usufruir da praia fluvial do Colado, no rio Maçãs, que une Portugal e Espanha. E é essa união ibérica que é a grande novidade deste ano, já que o festival vai contar com bandas dos dois países. Mais a sul, Elvas está transformada numa cidade medieval, com cerca de 200 figurantes a realizarem recriações históricas de torneios, combates e mercados no interior das muralhas. Não faltarão trovadores, artesãos, mercadores e artífices, além de animais da época, como lobos e dromedários.

Desporto para lá do futebol
É mais do que justo destacar as vitórias que muitos desportistas portugueses vão obtendo noutras modalidades que não o futebol. Os triunfos nos Europeus de Canoagem, o bronze no Campeonato Europeu de Judo e a vitória na corrida principal da etapa de Vila Real do campeonato mundial de carros de turismo (WTCC) são bons exemplos e devem ser referidos. Já dizia Bobby Robson: em Portugal quase só se fala de futebol e todos contribuímos para isso.
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