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Pedro Santana Lopes

Um rei bem preparado

A visita do príncipe Felipe aos Paços do Concelho de Lisboa ficou marcada por muitas manifestações de simpatia

Pedro Santana Lopes 21 de Junho de 2015 às 00:30

A visita do então príncipe Felipe à Câmara de Lisboa, em 2003, foi significativa, também, no processo de aprofundamento das relações de grande convergência entre Portugal e Espanha, nomeadamente desde as revoluções democráticas que se verificaram nos dois países na década de 70 do século passado. À época eram primeiros--ministros Durão Barroso e José María Aznar e sabe-se como estiveram próximos em opções fundamentais da política externa da altura, envolvendo outros aliados, como os EUA e o Reino Unido.

Eu próprio, enquanto ‘alcalde’ de Lisboa, desloquei-me várias vezes naqueles anos a Madrid e a Barcelona. Presidia à Câmara de Madrid na altura José María Álvarez del Manzano, que depois foi para presidente da Feira de Madrid, sucedendo-lhe, em junho de 2003, Alberto Ruiz- -Gallardón. Em Barcelona era Joan Clos o presidente da autarquia. Fui convidado várias vezes para me deslocar à cidade pelo meu querido amigo Enrique Lacalle, presidente da Feira de Barcelona, que organiza todos os anos uma grande feira de imobiliário, onde as empresas portuguesas e muitas autarquias de toda a Europa marcam presença.

Esse aprofundamento das relações políticas, económicas e culturais era de facto muito importante. Pela minha parte, na década anterior, entre 1990 e 1995, nos cinco anos que estive como secretário de Estado da Cultura, tive oportunidade de me relacionar com três ministros da Cultura: o relevante escritor Jorge Semprún, o catalão e professor de Direito Jordi Solé Tura e a também escritora Carmen Alborch. E nesse ambiente de proximidade entre os países ibéricos fui agraciado em 2004 com a Grã-Cruz de Mérito Civil de Espanha, entregue num jantar oficial em Barcelona.

A visita do príncipe Felipe aos Paços do Concelho de Lisboa durante a sua deslocação oficial a Portugal ficou marcada por muitas manifestações de simpatia ao então herdeiro do trono de Espanha, que a todos cativou. Manda a verdade dizer que se verificou uma enorme afluência de funcionárias e dirigentes femininas do município à sessão solene nos Paços do Concelho. Todas vinham bem preparadas para fazer o gesto protocolar de cumprimento ao príncipe Felipe. Diria que a sua simpatia e educação são diretamente proporcionais à também impressionante altura do príncipe. Foi mais um momento que contribuiu para estreitar laços entre os dois países. Sublinho também que as várias visitas que o então príncipe Felipe realizou a Portugal, ainda sozinho ou já com a então princesa Letizia, contribuíram muito para reforçar a simpatia que os portugueses sentem pelo novo chefe de Estado do país vizinho, como aliás, por razões também profundas, já sentiam pelos pais, os reis Juan Carlos e Sofia.

No dia 19 celebrou-se um ano da subida de Felipe VI ao trono espanhol e pode afirmar-se com rigor que está a ser um auspicioso início de reinado e isso é muito importante para toda a Espanha. É curioso ver como os regimes são diferentes. Em monarquia há um grande processo de preparação para se assumir funções, enquanto na república um Presidente pode ser eleito sem estar à espera de o ser, cerca de um ano antes ou mesmo meses antes. O príncipe Felipe foi preparado durante muitos anos para chefiar o complexo Estado de Espanha e os primeiros tempos trouxeram bons augúrios, quer na política interna, quer nas posições quanto a questões que têm afetado membros da sua família, quer nas relações externas, como se viu no excelente discurso que proferiu na Assembleia Nacional Francesa, aplaudido de modo unânime por todas as bancadas.

Rei de Espanha Felipe Pedro Santa Lopes
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