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Pedro Santana Lopes

Uma entrada extraordinária

As pessoas sentiram que quarta-feira foi um dia com bom astral.

Pedro Santana Lopes 11 de Março de 2016 às 01:19
Nesta página mais abaixo, no Canto Curto, refiro o facto de nestes dias todos irem dizer bem do treinador do Benfica. Passe a comparação, o mesmo vai acontecer com o novo Presidente da República.

Quer-se queira, quer não, soube muito bem aos portugueses o modo como Marcelo Rebelo de Sousa entrou na Presidência da República. Tive o gosto de estar na manhã de quarta-feira na Assembleia da República, não pude ir a outras cerimónias, mas pude ver o resumo de algumas na televisão. E fui dando pela reação das pessoas e ouvindo os comentários. E manda a verdade dizer que a alegria, a boa disposição, a descontração, a simpatia, mesmo a informalidade de Marcelo Rebelo de Sousa caíram muito bem entre os seus compatriotas.

As pessoas sentiram que quarta foi um dia com bom astral, naturalmente, que os benfiquistas com bom astral reforçado, mas passe a piada, independentemente das cores clubísticas, foi um dia de "boa onda", de bom ambiente, como Portugal há muito tempo não tinha. Não foi por Marcelo chegar a pé à tomada de posse ou por pôr boina à noite no concerto da Praça do Município que se produziu esse efeito. Foi principalmente pelo seu olhar, pelo seu sorriso, mas também pela capacidade aglutinadora das suas palavras no discurso que proferiu perante os deputados. Sublinhe-se também que foi um belo discurso, e com belo discurso quero dizer um bom discurso e um discurso bonito. Foi muito bonita a passagem de Miguel Torga que citou e fez muito bem aos portugueses ouvirem o Presidente da República dizer aquilo. Não é que outros presidentes, nomeadamente o seu antecessor, não tenham dito coisas parecidas, mas as palavras também ecoam em função do modo como são ditas. E Marcelo fez do seu dia de posse a posse como Presidente da República da pessoa que ele efetivamente é.

Os tempos de hoje, no século XXI, da globalização e das tecnologias, exigem isso: uma mistura de autenticidade, seriedade e proximidade. Exigem-no principalmente a um chefe de Estado. Marcelo parece ter compreendido muito bem e fez uma referência interessante em declarações precisamente a Nuno Graciano da CMTV, agradecendo ao povo português por ter "apanhado", ter compreendido tão bem, qual a sua intenção, porque às vezes as intenções são boas e as pessoas não reagem bem e chegam a dizer mal e até a satirizar.

Neste caso, o Presidente sentiu o que os portugueses sentiam: precisavam de palavras de carinho, de estímulo, de reconhecimento. Por isso, muito bem andaram os deputados que o aplaudiram. Na quarta foi dia de festa na democracia, para mais porque tomou posse um Presidente que não trouxe nenhum programa político, a não ser a Constituição e defesa dos que mais precisam. Até por isso se teria justificado o aplauso unânime. Mas como dizia a minha avó, depois de tempo, tempo vem.

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Imperdível: Missa Luba em São Roque  
A Igreja de São Roque em Lisboa vai ser palco, no próximo dia 15, às 11h00, de uma Missa Luba, cantada pelo coro Lisboa a Capella, dirigido pelo maestro Pedro Ramos. Este concerto insere-se no âmbito do Auto da Páscoa, promovido pela Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa. A Missa Luba é uma versão da missa latina constituída por canções tradicionais dos Baluba (povo Luba), que vive nas províncias do Kasai Ocidental, Kasai Oriental e Katanga, da República Democrática do Congo. Entretanto, está a decorrer o 5º Festival Internacional de Artes Performativas em Sintra (até domingo),  iniciativa que tem como objetivo reunir todo o tipo de artes e artistas (teatro, dança, exposições, concertos, uma feira do livro) de regiões periféricas de Portugal e dos países de língua oficial portuguesa. 

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Canto Curto: Agora todos dizem bem
Agora, pronto: tudo vai cumprimentar e dizer bem do treinador do Benfica, Rui Vitória. Aqui há umas semanas, discutia-se se iria aguentar ou ser despedido. Mas já sabemos que a vida é assim e o futebol em especial. Mas é justo reconhecer Rui Vitória, que em quase todos os momentos deu provas evidentes de dois atributos: serenidade e sensatez.  
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