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Ricardo Ramos

Liderança suspensa

Desde o início, o processo independentista da Catalunha ficou marcado por erros de ambos os lados.

Ricardo Ramos 16 de Outubro de 2017 às 00:30
Desde o início, o processo independentista da Catalunha ficou marcado por erros de ambos os lados. A começar por Rajoy, cuja recusa em admitir negociar apenas contribuiu para reforçar a causa independentista.

Mas os maiores erros vieram do campo separatista. Primeiro, a sucessão de promessas que sabiam que não podiam cumprir, como o reconhecimento internacional e a permanência na UE e no euro. Segundo, fazer crer que se tratava de um processo irreversível. Não é, como vimos na terça-feira, quando Puigdemont assumiu o mandato de criar a República catalã para logo a seguir suspender a sua aplicação para dar espaço a um "diálogo" que sabe que não vai acontecer.

Para os muitos milhares de pessoas que esperavam celebrar a independência, o recuo de Puigdemont foi uma traição. As pessoas que enfrentaram cargas policiais para votar sentiram-se enganadas e desiludidas quando, na hora da verdade, o seu líder não teve a coragem de cumprir o prometido. Mesmo que o venha a fazer hoje, já não será o mesmo.

E se no final da semana a autonomia da Catalunha for suspensa e Puigdemont for detido por desobediência e sedição, muitos vão limitar-se a encolher os ombros.
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