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Correio da Manhã

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Ricardo Ramos

O preço da inação

Rajoy hesitou demasiado e deixou que o desafio independentista assumisse proporções inimagináveis.

Ricardo Ramos 23 de Outubro de 2017 às 00:30
A suspensão da autonomia da Catalunha era o desfecho mais que previsível do braço de ferro entre Mariano Rajoy e Carles Puigdemont. Quando muito, a decisão peca por tardia, e aqui o único culpado é o primeiro-ministro espanhol, que hesitou durante demasiado tempo e deixou que o desafio independentista assumisse proporções inimagináveis.

Madrid sempre avisou que nunca aceitaria negociar a independência e que recorreria a todos os meios legais à sua disposição para a travar. Sendo assim, mais valia ter recorrido mais cedo à ‘bomba atómica’ do artigo 155 para cortar desde logo o mal pela raiz, em vez de esperar até ao último momento, quando as posições já estão inevitavelmente extremadas.

A inação do governo nos últimos três anos encorajou os separatistas e fez com que fossem dando passos cada vez mais irreversíveis, ao mesmo tempo que manipulavam a opinião pública com sonhos de independência e promessas falsas de reconhecimento internacional e viabilidade económica. A sociedade catalã está agora irremediavelmente dividida e o risco de explosão é demasiado grande. Os próximos dias dirão se Rajoy arriscou demais neste jogo da espera.
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