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Ricardo Rio

Natal dos simples

Milhares de famílias procuram ainda o passaporte para uma vida mais digna.

Ricardo Rio 27 de Dezembro de 2017 às 00:30
António Costa aproveitou a habitual mensagem de Natal do Primeiro-Ministro para reiterar o compromisso do Governo com a criação de condições para a geração de mais e melhor emprego no ano vindouro.

Fez bem. Pese embora a melhoria dos indicadores económicos e a redução substancial que o desemprego registou em Portugal ao longo dos últimos anos, existem ainda centenas de milhares de famílias que procuram uma oportunidade de trabalho e o passaporte para uma vida mais digna e com mais esperança no futuro.

Noutro âmbito, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa exortou os Portugueses a deslocarem-se às zonas afetadas pelos fogos, enquanto forma de exprimir a sua solidariedade com as vítimas da tragédia e enquanto mecanismo de estímulo à recuperação das economias locais.

Em Braga, no habitual almoço promovido pela Delegação da Cruz Vermelha para os sem-abrigo da cidade – na sua esmagadora maioria utentes do centro de acolhimento desta instituição -, eu, o Arcebispo Primaz, autarcas de freguesia e diversos empresários afirmámos a urgência de um compromisso conjunto para dar um teto aos cidadãos que ainda têm que passar o Natal ao relento. E estou certo que 2018 trará a resposta para tal desiderato.

À nossa volta, sucedem-se exemplos de Natais e dias sem Sol, nas bolsas de pobreza envergonhada, no isolamento e abandono de tantos idosos, na insuficiente resposta do serviço nacional de saúde por falta de investimento do Estado, no precário acompanhamento aos cidadãos portadores de deficiência.

Para muitos, fica sempre a dúvida da autenticidade dos votos formulados na quadra festiva e dos desejos de recomeço no ano que se avizinha. Afinal, o seu Natal será apenas quando nós quisermos… E bom seria que fosse mesmo todos os dias do ano.
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