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Ricardo Rio

Perigo íntimo

Paris e Bruxelas são a porta ao lado pela irracionalidade da barbárie.

Ricardo Rio 24 de Março de 2016 às 01:45
No Portugal democrático, nunca tivemos de conviver com realidades como as Brigadas Vermelhas, a ETA ou o IRA, de forma a que pudéssemos ter consciência de que como alvos de ocasião ou meros danos colaterais poderíamos sucumbir a qualquer momento a atentados com motivações políticas.

Seguiu-se o tempo em que até Nova Iorque, Londres ou Madrid já pareciam demasiado longe quanto mais os dramas vividos em qualquer país do Médio Oriente ou da ex-União Soviética.

Se o mesmo se pode aplicar hoje a países africanos ou a remotas estâncias balneares, Paris e Bruxelas são a porta do lado. Não tanto pela distância mas pela aleatoriedade e a irracionalidade da barbárie.

Ainda assim, poucas horas depois dos atentados de Bruxelas, os artistas de rua do centro de Londres apelavam à aproximação das multidões que lotavam as artérias da cidade com um "nós não somos terroristas!" tão natural quanto o "não temos lepra", ou "tuberculose", ou "SIDA" o terão sido noutros contextos históricos.

Continuamos a sentir-nos no oásis. E, por mais que saibamos que um dia seremos deserto, vamos deixar de acordar todos os dias com o prazer de beber da água que temos para oferecer?
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