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Ricardo Tavares

‘Finito’ infinito e André Silva

Se na época de ouro, o dragão-mor se demarcou do treinador...

Ricardo Tavares 28 de Maio de 2016 às 00:30
Era expectável que Pinto da Costa nem quisesse olhar para José Peseiro quando o treinador passou à sua frente na Tribuna do Estádio Nacional. Tinha razões de sobra – o técnico preferiu atribuir um prémio de carreira a Helton em vez de dar as luvas ao guarda-redes titular para agarrar o único troféu que a equipa poderia arrecadar numa época marcadamente má e que vem na sequência de duas medíocres.
A frieza, o distanciamento e o olhar para o infinito não são novos no velho presidente do FC Porto. Em 87/88, época de ouro portista – à Supertaça Europeia e à Taça Intercontinental juntaram-se o Campeonato e a Taça de Portugal, conquistada ante outros minhotos, no caso os do V. Guimarães –, o dragão-mor também se demarcou do treinador, deixando-se ficar para trás, com Reinaldo Teles, em pleno Jamor, para que os assobios apenas ferissem os tímpanos de Tomislav Ivic. Os adeptos não lhe perdoaram o facto de ter decretado: "Gomes é ‘finito’." O croata não queria ser bom rapaz, mas, sim, dar mais um título ao clube. Conseguiu-o e, de prémio, recebeu... ordem de saída.
De Peseiro, que não foi solução para o problema azul- -e-branco, não se saberá se seria despedido caso a taça fosse erguida pelo ponta de lança que já o era antes de Fernando Santos escrever que quer ser campeão da Europa. E, se o for, Deus o guie, sr. Selecionador, não se esqueça de dedicar a conquista a André Silva.
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