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Ricardo Tavares

Homem bom, homem mau

Sempre na bolina, fazia escolhas precipitadas.

Ricardo Tavares 13 de Agosto de 2015 às 00:30
No dia em que ganhou em 19 das 20 urnas onde entraram os votos de 17 057 sócios do Sporting, o ‘Record’ publicou uma entrevista com Jorge Gonçalves. Dizia-me, a 24 de junho de 1988, o então futuro presidente que o leão estava "velho, desdentado, careca, doente, cheio de carraças e de pulgas", prometendo substituí-lo por um "jovem e dinâmico", capaz de "arranhar qualquer dragão ou águia" da "selva desportiva". Vinte e sete anos depois, Alvalade quer acordar o leão, recorrendo ao cérebro de Jorge Jesus, que é do Sporting desde pequenino, tal como o pai de Carlos Manuel, uma das ‘unhas’ que o antigo campeão nacional de vela – "seis vezes, cinco delas consecutivas", me frisou na mesma entrevista – contratou para um plantel com estrelas que não cintilariam.

Jorge Gonçalves, hábito de velejador,  andava sempre na bolina e, por isso, o discurso era acelerado, utópico também, e  as escolhas precipitadas. Não se estranhou, pois, o  suicídio como dirigente e o inevitável adiamento do despertar do leão. Vinte e sete anos depois, tenho a certeza, continuava a ser bom homem para os outros e mau para ele. E também aposto que,  agora,  esfregaria as mãos com mais convição, como quem  diz: "Este é que vai ser o ano do leão."  Se for, não ouvirei o ‘Bigodes’ repetir o que me disse na primeira entrevista que  deu como presidente: "Leão é o rei da selva". Era acelerado em tudo...
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