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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Rui Hortelão

A foto da absolvição

Poucos saíram da sua posição umbiguista.

Rui Hortelão 7 de Setembro de 2015 às 00:30
Manchetes e editoriais comovidos, comentários revoltados no Facebook, evocações a propósito de tudo e de nada. Um pouco por todo o Mundo, a fotografia do pequeno Aylan Kurdi deu nova dimensão ao drama dos refugiados que morrem na tentativa de chegar à Europa.

Mas, acima de tudo, trouxe a redenção que muitos procuravam, como se duas frases nas redes sociais ou um desabafo emocionado à mesa de um café mudassem alguma coisa. Lamentos e gritos de rebelião que, de forma mais ou menos direta, terminam da forma confortável com que a maioria lida hoje com qualquer problema coletivo: aponta-se a culpa aos "responsáveis", aos "políticos", aos "ricos e poderosos" e, a seguir, volta-se à posição umbiguista sobre tudo e todos.

Alguns nunca a deixam, como os membros do Conselho Português de Proteção Civil, que usaram a foto de Aylan para dizer aos pais "ensine o seu filho a nadar, para não passar o resto da vida a lamentar". Na prática, respeitam tanto as vítimas do flagelo que está a mudar a Europa, quanto os que as ajudam a tentar chegar a outro país.
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