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Rui Hortelão

A viagem e as outras

Fernando Rocha Andrade devia ter reconhecido que errou.

Rui Hortelão 8 de Agosto de 2016 às 01:59
A notícia da SÁBADO que iniciou a polémica das viagens dos secretários de Estado, a convite da Galp, foi: governante que tem sob a sua tutela a resolução de um conflito fiscal de milhões que opõe o Estado e a Galp viajou a convite desta para ver Portugal no Euro. Não foi, por exemplo: é inadmissível que secretários de Estado viagem a convites de empresas. Nem: três secretários de Estado deste Governo viajaram a convite da Galp. Ou: estes governantes fizeram o que nunca ninguém tinha feito.

A diferença parece um detalhe, mas é mais do que isso. Porque é óbvio que faz diferença ter, ou não, em mãos um litígio. Faz, aliás, toda a diferença. É por isso que os que vieram invocar que viagens destas sempre aconteceram, pagas por empresas e clubes e beneficiando governantes e jornalistas – incluindo eu – são tão demagógicos quanto os que reagiram à notícia da SÁBADO como virgens imaculadas.

E como a questão está na responsabilidade do caso concreto de Fernando Rocha Andrade, a situação não se resolve com o reembolso da viagem, nem a criação de um Código de Conduta, até porque já existe um. Resolve-se com bom senso e ética, que, no mínimo, teria sido Rocha Andrade reconhecer que errou. Até para não arrastar outros consigo.
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