Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
9
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Rui Hortelão

Realidade opaca

Manter tudo em segredo só favorece os criminosos.

Rui Hortelão 11 de Janeiro de 2016 às 00:30
O Banco de Portugal enviou a instituições financeiras uma lista de 169 suspeitos de fazerem lavagem de dinheiro na economia portuguesa. De acordo com a notícia que fez a manchete de ontem do CM, a introdução destes capitais no sistema empresarial e bancário nacional faz-se em negócios tão comuns como padarias, restaurantes e centros de estética.

A identidade dos visados, no entanto, não foi revelada. Assim, se, por infelicidade, tiver negócios com estes suspeitos, resta-lhe ter fé em que os bancos evitarão que seja envolvido no esquema.

Em Portugal, insiste-se na confidencialidade conveniente, na falta de transparência, sem perceber que isso apenas isola o Estado como único polícia, desresponsabilizando os cidadãos e desperdiçando a ajuda que estes poderiam dar no combate ao crime.

Fosse outra a cultura, e as histórias dos escândalos do BPN, do BES e do Banif também tinham sido outras. Bem como as dos célebres rebanhos trocados por jipes, das empresas que sucumbiram ao aperto do controlo fiscal e das recorrentes suspeitas sobre políticos.

Maior transparência só tem aspetos positivos. E deve-se desconfiar de todos quantos insistem em adiá-la.
Banco de Portugal Portugal BPN Banif BES economia negócios e finanças
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)