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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Rui Hortelão

Última lição em Paris

Palavras politicamente corretas não vão chegar.

Rui Hortelão 16 de Novembro de 2015 às 00:30
Desde 1944 que as crianças veem Yosemite Sam a disparar pistolas contra Buggs Bunny. Daffy Duck já fazia o mesmo desde 1937 e a partir de 1952 foi Beep Beep quem surgiu como vítima do Coiote, que tenta todo o género de armadilhas, até dinamite. Desenhos animados vistos por várias gerações em todo o Mundo, que cresceram com estes exemplos de violência e, em Portugal, até a atirarem o pau ao gato.

No entanto, nunca na era moderna houve violência tão gratuita e desumana quanto a do Estado Islâmico. A hipocrisia e demagogia das sociedades ocidentais já as levaram, porém, a discutir desenhos animados e canções para crianças.

Quando é evidente que estas são questões menores no incentivo à violência. Muito menos na escala da exibida pelos jihadistas. E não vale a pena o consolo conveniente de que a culpa é do Islão ou do radicalismo religioso, porque são já muitos os ocidentais convertidos e alguns nem sequer leram o Corão. Ninguém sabe impedir tragédias como a de Paris, mas de certeza que palavras politicamente corretas sobre tolerância não vão chegar.
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