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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Rui Moreira

Vá-se lá saber porquê

Quem, no seu perfeito juízo, optará por canalizar poupanças para um negócio em que o estado rompe compromissos?

Rui Moreira 4 de Setembro de 2016 às 01:45
O congelamento das rendas teve um efeito negativo: não enriqueceu os inquilinos, empobreceu os senhorios, depauperou as cidades. Como dar a volta? Para que as rendas sejam atualizadas, ou paga o inquilino ou o Estado subsidia-o. O que é injusto é que sejam os senhorios a pagar." Quem o disse, em 2011? António Costa, que sempre reclamou para si o mérito por, em 2006 e enquanto ministro, ter descongelado as rendas.

Em 2012, o governo anterior manteve o rumo. Criou um regime transitório, em vigor até 2017, que salvaguarda deficientes e maiores de 65 anos dos aumentos de renda e prevê que, findo esse período, seja o Estado a suprir a diferença através da subsidiação, assumindo como seu encargo a proteção dos inquilinos mais desprotegidos, mas respeitando os direitos dos proprietários.

Anuncia-se agora que o regime transitório será alargado por mais anos. Porque se prolonga uma situação que o primeiro-ministro considera, com razão, injusta? Por motivação ideológica ou porque não há folga orçamental para assegurar o subsídio de que Costa falava, e que está previsto na lei?

A resposta pode estar numa outra citação: "A decisão que a esquerda unida tomou não tem nada a ver com capacidade económica de inquilinos, nem sequer visa proteger os idosos e deficientes. É desnecessária, iníqua, geradora de injustiça social e de justificada desconfiança no Estado, demagogicamente apresentada como um bodo aos pobres. A esquerda no seu pior." Quem o escreveu, esta semana, foi Fernanda Câncio.

Esta nova política - com congelamento de rendas, com novas regras sobre o IMI, em que os municípios a quem a receita se destina nem sequer são ouvidos, com a ameaça da criação do imposto sucessório - vai arrasar o frágil mercado de arrendamento e travar a reabilitação urbana. Quem, no seu perfeito juízo, optará por canalizar poupanças para um negócio em que o Estado altera as regras, rompe compromissos, e despeja para o investidor as suas obrigações sociais?

Assim, será mais difícil a quem precisa de casa, e não a pode ou quer comprar, encontrar uma para alugar; os proprietários continuarão a não ter recursos nem incentivo para reabilitar os prédios. Concordo com António Costa: com estas medidas, perdem os inquilinos, perdem os proprietários e perdem, principalmente, as nossas cidades que precisam de habitantes e de reabilitação.

Exposições no Porto
Não podia deixar de fazer nova referência à Feira do Livro do Porto, agora que ela já começou. E, da sua programação cultural, destaco hoje as duas exposições patentes na Galeria Municipal do Porto.

‘100 Tesouros da Biblioteca Pública do Porto’ tem curadoria de Fernando Pinto do Amaral e origem numa ideia de Paulo Cunha e Silva. Está organizada em núcleos temáticos e cronológicos que dão a conhecer várias obras impressas na biblioteca.

A exposição ‘Reencontro com Vergílio Ferreira - testemunhos e perspetivas no centenário do escritor’ propõe um percurso pela criação literária do autor de ‘Para sempre’ e ‘Até ao fim’, com curadoria de Maria Bochicchio e Isaque Ferreira. Duas propostas a não perder, depois de uma visita aos 131 stands da feira, nos Jardins do Palácio de Cristal, até dia 18.

Ligações da Ryanair a Milão
Foi com entusiasmo que a notícia do início dos voos da Ryanair entre o Porto e Milão (Malpensa) foi acolhida na minha página de Facebook. Entendem os visitantes da página que é muito diferente ter o Porto ligado a este grande centro industrial italiano diretamente.

O início desta ligação, em que me empenhei após a TAP a ter largado em março, aconteceu no mesmo dia em que a companhia aérea portuguesa anunciou baixar ainda mais os preços da ponte aérea entre o Porto e Lisboa.

Porque se baixam preços de uma rota que foi anunciada, já com o carimbo "low-cost", ao fim de apenas meio ano? Como é a ocupação destes voos? Como está a correr a ligação a Vigo? Questões que não vejo ninguém colocar à TAP, numa altura em que a Ryanair se prepara para anunciar novas rotas no Porto.
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