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Rui Moreira

A equação cultural

O segredo do casamento entre produção cultural e públicos está na diversidade da oferta.

Rui Moreira 22 de Janeiro de 2017 às 00:30
Esta semana, um amigo radicado em Lisboa manifestou-me, com uma genuína estranheza, a alegria de ter vindo ao Porto e ter encontrado salas cheias de público em eventos culturais. Esta estranheza é a de muita gente, menos habituada a acompanhar o momento cultural da cidade. E até compreendo. Houve tempos em que, por razões diversas, a produção e os públicos andaram, no Porto, em meridianos diferentes.

Seria injusto culpar os produtores culturais desses tempos, até porque muitos deles são os mesmos de hoje. Igualmente injusto seria apontar o dedo à vontade política, já que houve tempos de grande investimento na cultura e o divórcio com os públicos manteve-se. A culpa seria, então, do público? Ora, o público tem sempre razão. Os nossos clientes nunca podem ser os culpados.

Vem isto a propósito da recente decisão da Câmara do Porto de tomar conta do Cinema Batalha, um edifício da maior importância arquitetónica para a cidade e que representa um marco cultural, entre muitos outros que o Porto tem.

Durante as negociações para que fosse possível assumir a gestão municipal naquele espaço icónico nos próximos 25 anos, interroguei-me: haverá público? Haverá gente para encher mais salas e desenvolver novos projetos quando, na mesma praça, temos o Teatro Nacional de São João; um pouco abaixo o Coliseu e ao fundo da rua o Rivoli dos nossos sonhos? Quando mais longe, quase uma dezena de companhias criam e apresentam trabalho no Campo Alegre e do outro lado da cidade a Casa da Música e o Museu Serralves se enchem? Quando em Bombarda proliferam portas abertas à arte e a Galeria Municipal bate recordes de afluência? Concluí que sim.

O segredo do casamento entre produção cultural e públicos está na diversidade da oferta, na divulgação eficaz da mesma e na capacidade de aproveitar os templos da cidade, associando-os à vontade de produção natural. Não tenho, por isso, receio da divisão de públicos. Nem em relação ao Batalha nem em relação a um Pavilhão Rosa Mota reabilitado, que também aí vem.

Porque a cultura, no seu casamento com a economia, não é uma conta de dividir. É, isso sim, uma equação exponencial que se faz de equilíbrios mas, sobretudo, de respeito pelo património e pelo que brota da cidade. E pelo público, a quem não devemos impor uma política de gosto.

O jornal Porto    
Está a ser distribuído o jornal Porto, uma publicação municipal diferente das outras e que, mais do que enumerar obras da autarquia, pretende ser um jornal da cidade e para a cidade. Nas suas páginas está publicada uma entrevista a Luís Valente de Oliveira, escrita pelo jornalista Manuel Carvalho, um dos protagonistas que melhor pensa o ordenamento do território e a organização das cidades em Portugal.

Pela sua experiência governativa, Valente de Oliveira é uma voz que não pode deixar de ser ouvida e que explica, sem tabus, como está a cidade do Porto a reagir e a adaptar-se às atuais circunstâncias. O jornal tem sido distribuído na cidade, mas para quem não o receber, fora dela, será esta semana colocada online uma versão digital que poderá ser acedida a partir do site www.porto.pt.

Melhor destino europeu
O Porto está nomeado para melhor destino europeu, depois de ter obtido o título em 2014. A campanha começou esta semana e qualquer um pode votar. Apesar de algumas vozes que, de uma forma pouco informada, tentam transpor para o Porto uma imagem de saturação de turistas que está muito longe de atingir, culpando o turismo por tudo e por nada, mas esquecendo o seu enorme papel em fatores como a reabilitação urbana e a atração de investimentos em muitos domínios que não apenas o do seu setor, e a generalidade dos portuenses está a aderir.

No Facebook, a reação foi extraordinária e demonstra que a cidade vê o turismo como um filão a explorar e não como o Diabo que nos querem vender.
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