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Rui Moreira

A cidade como tela

Apesar de haver uma mudança de mentalidades, os graffiti continuam a ser vistos, por alguns, como mero vandalismo.

Rui Moreira 3 de Janeiro de 2016 às 00:30
propósito da morte de três grafiteiros colhidos por um comboio, e por termos convocado um artista de ‘street art’ para a festa de Natal dos funcionários da Câmara do Porto, fui interpelado por uma pessoa por quem tenho consideração, que me questionava sobre o que lhe parecia ser uma política de promoção dos graffiti pelo Município do Porto. Bem lhe tentei explicar o que é a ‘street art’ que tentamos promover. Sem grande resultado prático, note-se.

Apesar de haver uma mudança de mentalidades e de atitude, os graffiti continuam a ser vistos, por alguns, como um ato de mero vandalismo. É verdade que, em muitos casos, os tags e também os graffiti têm um impacto nocivo. Mas são um reflexo dos conflitos urbanos e constituem- -se, nos últimos anos, como o berço de um renascimento cultural que deixou de ser proscrito e clandestino para ser apreciado.

O caso de Vhils é por demais conhecido para o ter de descrever nestas linhas, mas poderíamos acrescentar muitos outros nomes reconhecidos, como é o caso do portuense Hazul, que se iniciaram nos graffiti.

A política de um município que preza a cultura não pode ignorar essa realidade. E se é certo que os atos de vandalismo sobre a propriedade pública ou privada devem ser reprimidos e se é evidente a necessidade de proceder à limpeza e conservação desse património, também parece claro que devem ser propiciados os espaços adequados, onde a ‘street art’ se possa expressar.

No Porto, desde as antigas cabines de telefone às caixas exteriores de eletricidade, às paredes de um parque de estacionamento municipal, há muitas telas disponíveis para a livre e efémera expressão. E, nesse âmbito, o projeto do edifício AXA teve o mérito de mostrar, a quem quer ver, o que de bom se pode fazer neste campo. E é importante ver, para que, depois, cada um de nós decida se lhe agrada o que viu e possa julgar se é, ou não é, uma expressão artística.

A felicidade e Júlio Pomar
‘A Felicidade em Júlio Pomar/Obras das Coleções Millennium BCP /Atelier-Museu Júlio Pomar’ estará patente até fevereiro na Galeria Municipal, nos jardins do Palácio de Cristal. Esta grande exposição tem curadoria de Sara Antónia Matos e Pedro Faro e nela se apresentam trabalhos em quatro núcleos: os mitos e as figuras alegóricas; a articulação entre os corpos e o seu erotismo; o movimento e a presença constante de animais e os posicionamentos políticos e as lutas travadas pelo artista.  

Limpeza no 1.º dia do ano
A festa da passagem do ano no Porto foi um imenso sucesso e as partilhas que fiz de vídeos e fotografias no meu Facebook refletiram essa alegria. Mas não deixa de ser curioso o facto de, por estes dias, o post que atingiu maior viralidade tenha sido feito na manhã do dia 1 de janeiro e fosse acerca da limpeza que a Avenida dos Aliados já apresentava às primeiras horas da manhã. De facto, o trabalho dos nossos funcionários do ambiente merece um elogio, como todos os que estiveram envolvidos na organização desse enorme acontecimento que foi o ano novo no Porto.


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