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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Rui Moreira

God save the Queen

Um dos aspetos mais sensíveis é a diferença de opinião entre gerações, com os mais novos a votarem pela permanência.

Rui Moreira 26 de Junho de 2016 às 01:45
Como admitira nesta coluna, os ingleses decidiram-se pelo Brexit. O impacto imediato da saída não admira, porque apenas se confirma tudo aquilo que já se adivinhava: um custo imediato muito superior a tudo aquilo que o Reino Unido pagava pela sua participação na União Europeia; e fica a confissão apressada, por parte dos vencedores, de que se enganaram ou mentiram ao eleitorado relativamente à poupança potencial e à transferência dessas economias para o sistema nacional de saúde.

A prazo, o impacto político será muito maior do que o económico. Desde logo, porque a Escócia – onde pouco mais de um terço do eleitorado votou a favor do Brexit - quererá repetir o seu referendo e, muito provavelmente, declarará a independência e quererá fazer parte da UE.

O mesmo poderá suceder na Irlanda do Norte, onde o voto foi idêntico ao escocês, o que levou os líderes nacionalistas a desenterrarem o tema da eventual união com a Irlanda. Ou seja, o Reino Unido de sua Majestade poderá ficar limitado à Inglaterra e País de Gales.

Um dos aspetos mais sensíveis da votação é a diferença de opinião entre gerações, com os mais novos a votarem a favor da permanência e os mais velhos a favor da saída. Dizia, a propósito, um jovem eleitor inglês, que nesta matéria os mais velhos não deveriam votar, porque não irão viver com as consequências da decisão.

Dois terços dos maiores de 65 anos votaram pela saída e dois terços dos menores de 25 votaram pela permanência. Estes, os mais novos, que mais uma vez bateram recordes de abstenção, deveriam lembrar-se que a sua inércia e o seu desapego pela participação podem matar a Europa que tanto desejam.

Nessa Europa que eu também desejo, em que já não contamos com os ingleses – que, valha a verdade, sempre quiseram ter um estatuto diferente -, o Brexit pode, na aparência, favorecer movimentos nacionalistas e levar à saída de outros países, principalmente a leste.

Mas, no final, os que permanecerem ficarão mais unidos e, por isso, mais fortes. E, se for esse o caso, se o aprofundamento do projeto europeu for mais democrático e menos burocrático, se for mais partilhado e menos egoísta, os movimentos nacionalistas e os extremismos não terão sucesso.

Teremos, finalmente, a Europa do futuro, com a solidariedade que os mais jovens da geração Erasmus desejam (ainda que sem o necessário empenho) e que a minha geração não pode entravar ou destruir.

Companhia de bailado
Talvez não saiba, mas a Companhia Nacional de Bailado nasceu no Rivoli. E a ele regressa nos dias 1 e 2 de julho, para exibir ‘Carnaval’. Uma das peculiaridades desta obra é o facto de se apropriar de peças de outros compositores e de peças anteriores do mesmo autor (a coreografia é de Victor Hugo Pontes), e que são revisitadas num tom parodístico e mascaradas com nomes de animais.

Apesar de truncar o título original de Saint-Saëns, ‘Carnaval’ recorrerá a uma técnica idêntica, ainda que inversa, de composição: vários compositores contemporâneos irão compor um tema original associado aos 14 movimentos musicais de ‘Carnaval dos Animais’. Ou seja, em ‘Carnaval’, cada um dos compositores convidados iniciará a sua composição no final do tema anterior, levando-a até ao tema seguinte.

São João nas redes sociais
O São João do Porto deve ser dos acontecimentos que mais geram imagens nas redes sociais hoje em dia, o que nos dá uma ideia da quantidade de pessoas que descem à rua no Porto, nessa noite, e que até já decidimos deixar de tentar contar.

Este ano, no meu Facebook, o conteúdo mais partilhado foi um pequeno clipe de vídeo, feito com um telemóvel, do fogo de artifício. E isso leva-me a concluir que, por mais simpáticas e importantes que sejam as incursões de políticos pela festa, como foi da honra que este ano Presidente da República e Primeiro-Ministro nos deram, a verdade é que os grandes protagonistas da noite são mesmo o espetáculo no Rio, as sardinhas na brasa, os balões no ar e a festa que o povo faz.
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