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Rui Moreira

O Porto é o futuro

Cavaco poderia e mereceria ter saído com outra imagem.

Rui Moreira 13 de Março de 2016 às 00:30
É pouco normal um Presidente da República fazer afirmações como a que dá título a esta crónica. Mas Marcelo Rebelo do Sousa fê-lo na sua vinda ao Porto. E fez muito mais. Veio ao Porto e, no Porto, foi ao Cerco. E, indo ao Cerco, foi português.

Ninguém pode exigir a um não portuense que seja e se sinta portuense. Fingi-lo é hipocrisia. Mas podemos pedir-lhe que não nos mace vindo dizer que gosta muito do Porto e que os portuenses são boa gente. Os portuenses não são nem boa nem má gente. São portugueses. E não gostam do discurso paternalista que Marcelo Rebelo de Sousa não teve.

Esta dimensão cultural que já lhe conhecíamos, mas que agora transporta para a Presidência da República, pode ser uma alavanca política importante para o País. Para os outros Órgãos de Soberania, para os partidos e para um caminho de coesão social e territorial.

O tema da coesão territorial não é importante para o Porto, para o Algarve ou para os Açores. É importante para o País. E é assim que deve ser tratado. Dar a cada uma das regiões aquilo a que têm direito, mas também a importância política que lhes é devida, é um imperativo nacional, não uma dádiva às regiões.

É por isso que me custou muito ver parte do discurso do novo Chefe de Estado não ser aplaudido por todos na sua tomada de posse. O seu discurso não foi ideológico nem sectário. Deveria ter sido aplaudido por todo o país político, numa altura em que o país precisa de todos e precisa deste discurso.

Entra no cargo um homem culto, sensível e talhado para a função. Que se preparou para a desempenhar e que tem uma ideia para Portugal. E Portugal precisa de tudo isso.

Queria também deixar uma palavra ao Presidente cessante. Fui seu crítico, publicamente. Não creio que seja este o momento de o enfatizar com o que me dividiu da sua interpretação do papel de Chefe de Estado. Mas merece que se recorde que sempre esteve a favor dos portugueses e dos consensos. Mesmo que não tenha conseguido promovê-los.

Pelas qualidades que tem e por ser um patriota, por ter dedicado tantos anos ao serviço público, creio que poderia e mereceria ter saído com outra imagem. Mas também acredito que a História lhe há de fazer a justiça que, neste momento, não fazemos.

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Exposição muito especial 
Paulo Cunha e Silva foi uma personalidade marcante para a cultura do Porto. Comigo, construiu o programa eleitoral e, mais tarde, de governo da Câmara do Porto, na área cultural. Acima de tudo, relacionava-se, como ninguém, com artistas, que admirava e que estimulava. "P. – Uma homenagem a Paulo Cunha e Silva, por extenso" é, por isso, a homenagem que lhe devíamos. Inaugurada ontem, e com a curadoria de Miguel von Hafe Pérez, estará patente até ao dia 22 de maio, na Galeria Municipal do Porto, com obras de Alberto Carneiro, Albuquerque Mendes, Cristina Mateus, Dalila Gonçalves, Gabriel Abrantes, Joana Vasconcelos, João Leonardo, João Louro, João Onofre, João Pedro Vale, Julião Sarmento, Miguel Palma, Pedro Tudela, Rui Chafes e Yonamine. A entrada é gratuita.

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À beira dos 100 mil seguidores 
No dia 20 de março fará três anos que lancei a candidatura à Câmara do Porto. Poucos dias depois, foi aberta a página oficial de Facebook, que mantenho e através da qual acontece um diálogo diário com muitos seguidores. Nos próximos dias a página deverá ultrapassar os 100 mil seguidores permanentes, o que representa um número significativo que faz deste instrumento uma peça de comunicação muito importante. Apesar de nem todos concordarem com o que nela, nestes três anos, foi publicado, quero enaltecer a educação e a correção com que quase todos se me dirigem. Casos raros de má educação e abuso não estragam o exemplo democrático da generalidade dos portuenses, e não só, que a usam com liberdade.

O meu facebook: www.facebook.com/ruimoreira2013 
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