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Rui Moreira

O voto artesanal

Quando votámos para a Assembleia Constituinte, com a licença do MFA, votámos da mesma forma artesanal como hoje se vota.

Rui Moreira 11 de Outubro de 2015 às 00:30
Em 1975, a televisão era a preto e branco e fechava por volta da meia-noite. Os telefones eram grandes caixas pretas cravadas às paredes por fios e os números discavam-se. O dinheiro não brotava de máquinas, levantava-se ao balcão dos bancos, a autoestrada entre o Porto e Lisboa não passava dos Carvalhos. Os fins de semana eram passados em casa e aos domingos ia-se à missa. Era a normalidade para a maioria dos portugueses.

Quando votámos para a Assembleia Constituinte, com a licença do MFA, votámos da mesma forma artesanal como hoje se vota. O caderno eleitoral, a cruzinha no papel, a urna, o escrutínio manual, o dia e o horário permanecem os mesmos, como se o mundo tivesse parado e o país também.
Não quero, pelo menos nesta crónica, questionar todo o sistema eleitoral e a qualidade da democracia portuguesa – e haveria sobre isso muito a dizer –, mas questiono a eficácia do sistema de voto.

Será razoável haver um período de reflexão, num tempo em que as redes sociais dominam o debate? Porque se vota ao domingo e porque fecham as urnas às 19 horas? Porque tenho de votar naquela mesa de voto e não posso votar numa mais próxima de minha casa ou na cidade onde estou de férias ou em trabalho? Porque se obriga um cidadão a esperar numa fila quando, ao lado, há uma mesa de voto sem "clientes"? Porque nos obriga a lei a algo que já não faz sentido e tem solução tecnológica simples?

Pode explicar-se a crescente abstenção com o desinteresse dos cidadãos pela política. Mas eu quero dizer que a culpa não é dos cidadãos. A culpa está na política, na forma como se organiza e desorganiza e está, também, na forma como interage com o cidadão. E se não conseguirmos começar pela base, criando um sistema de participação amigo do eleitor, um sistema confortável e de acordo com o nosso tempo, será mais difícil pedir-lhe que participe a outros níveis. Porque sempre que a abstenção cresce – e voltou a crescer nas legislativas – é menor a legitimidade política de quem governa.

Alternativas
Rui Reininho e os GNR são ícones da cidade do Porto. Na sequência do lançamento do seu 12º álbum, com o título "Caixa Negra", encontram-se, mais uma vez, com os seus públicos, a 23 de outubro, no Coliseu do Porto. Um espetáculo especial, em que o tema Caixa Negra serve de mote.

Reininho diz que este espetáculo "tem lá coisas que não revela a ninguém e não lembram ao diabo, também". Podem não lembrar ao diabo, mas eu vou querer assistir a estas duas horas.

O meu Facebook (www.facebook.com/ruimoreira2013)
O projeto "Porto Olhos nos Olhos", que os jornalistas Manuel Roberto e Mariana Correia Pinto desenvolvem, mostra que o ambiente das redes sociais pode ser mais do que uma corrente de futilidades, má-língua e boatos.

Desenvolvido integralmente no Facebook, este novo projeto retrata, olhos nos olhos, o sentimento de inúmeros portuenses.

Esta semana, chegou a minha vez de me confessar para a câmara fotográfica do Manuel e para o bloco de notas da Mariana. O resultado foi uma espécie de entrevista fora da caixa que mereceu o aplauso da rede. E o meu.
opinião Rui Moreira
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