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Rui Moreira

Ponte aérea centralista

Aestratégia da TAP, que tudo concentra em Lisboa em detrimento dos outros aeroportos nacionais, trouxe o tema da macrocefalia para a agenda.

Rui Moreira 21 de Fevereiro de 2016 às 01:37
A estratégia da TAP, que tudo concentra em Lisboa em detrimento dos outros aeroportos nacionais, trouxe o tema da macrocefalia para a agenda. Como dizia Rui Rio, ainda há dias, dando, por oposição, o exemplo alemão, essa macrocefalia é própria de países pouco desenvolvidos. E, em tese, todos concordam com ele. Contudo, na prática, ninguém ousa interpor-se no caminho da pesada ponte aérea centralista, que tudo arrasta para Lisboa.

Para muitos políticos, comentadores e jornalistas, bem sentados na capital, o Porto e o Norte são muitas vezes confundidos com um lugar bonito, onde têm amigos "porreiros", onde se come bem – francesinhas, pois claro – e de onde vêm, de vez em quando, uns rapazes de azul às riscas estragar certas festas. Acontece que o Porto e o Norte não são só "francesinhas e amigos". Apesar do enorme e injusto esmagamento, que a inclinação sistemática dos vários quadros comunitários de apoio veio acentuar, com os seus "splillover" e quejandos, é a Norte que mais se produz. Nem sequer precisamos de falar do turismo, os números da produção industrial e do seu reflexo na balança comercial de bens transacionáveis são elucidativos.

Considerando os últimos cinco anos, este indicador económico diz-nos que a Região Norte quase duplicou o seu saldo positivo, agora acima dos cinco mil milhões de euros. A Região Centro, com cerca de 2,5 mil milhões, e o Alentejo, com cerca de mil milhões, também contribuem com saldo positivo. Madeira, Açores e Algarve equilibram contas. Há, contudo, uma região com saldo negativo: a Área Metropolitana de Lisboa, que assegura mais de 15 mil milhões de euros de "prejuízo" na balança comercial de bens transacionáveis. O que torna o país deficitário neste aspeto fulcral para o seu desenvolvimento. Hoje, não me apetece escrever muito mais sobre isto.

Apenas deixo a nota: os impostos gerados por toda esta indústria exportadora vão para uma mesma gaveta, que tem ao lado a dos fundos comunitários. Essa gaveta encerra mistérios insondáveis para nós, os pacíficos "porreiros", aqui no Norte. É por essas e por outras que, à semelhança de Vigo, também o Porto se sente, muitas vezes, como a salsicha no meio da francesinha. Entalada entre o fiambre da autonomia galega e o bife tenro do centralismo capital.


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O Porto de Zimler 
A imagem turística do Porto é muito mais a da Ribeira e da baixa ou, nos dias de hoje, também, a Casa da Música ou Serralves. O turismo parece, contudo, estar a descobrir mais lentamente a extraordinária costa marítima do Porto. A minha sugestão de hoje vai, por isso, para um passeio à beira-mar, sobretudo para os que não são do Porto, o visitam e nunca dedicaram uma manhã aos encantos da Foz, do Passeio Alegre ou da Avenida de Montevideu. Como diz Richard Zimler num vídeo sobre o turismo do Porto, que pode procurar no YouTube, é dali que podemos imaginar Nova Iorque, do outro lado do Atlântico, na mesma latitude, mas a cinco mil quilómetros de distância. Nesse mesmo vídeo, o escritor americano diz gostar do Porto por ser uma cidade "que não dá palmadas nas costas às pessoas".

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Mercado do bolhão
Foi uma semana muito agitada na minha página de Facebook, com mais de um milhão de visitantes e mais de 400 mil pessoas a interagirem. Um dos posts acolhidos com maior alegria dizia-nos que as obras do Mercado do Bolhão, que o vão restaurar e modernizar,  avançam no próximo verão, com os trabalhos que desviarão um curso de água subterrâneo que impedia a intervenção. Noto, com satisfação, que os portuenses cada vez têm menos receio de que o mercado seja transformado num shopping e que só já o querem ver reabilitado e a funcionar, com os seus vendedores e os seus produtos frescos. Um mercado dedicado aos portuenses e não vocacionado para o turismo desenfreado que mataria a sua alma.
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