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Rui Pereira

O congresso do PS

O PS enfrenta um desafio que não é mais fácil do que a luta pela liberdade e pela democracia.

Rui Pereira 4 de Dezembro de 2014 às 00:30

É imputada a Alexandre O’Neill a frase mais lúcida que alguma vez foi proferida sobre o Partido Socialista: "Ele não merece, mas vota no PS." Com efeito, o PS não é, nem nunca foi, um partido da utopia ou de "amanhãs cantores". Apesar da sua vaga matriz marxista, cedo foi vergado pelo peso da realidade e da governação. Porém, se algum dos partidos fundadores da democracia merece ser destacado, esse partido é o PS. Nascido, providencialmente – por um triz (1973) –, no tempo da ditadura, o PS foi decisivo nos momentos marcantes da III República.

Que currículo ostenta o PS? Depois de se opor à ditadura, lutou contra as derivas totalitárias, empenhou-se na descolonização, apostou na integração europeia e foi obreiro do Estado social. Todavia, para além dos louros, o PS recolhe, por inerência, as críticas dirigidas ao regime. As vicissitudes da descolonização, os impasses do projeto europeu e os retrocessos do Estado social foram-lhe imputados com muita frequência e alguma justiça. Como diziam os romanos, "ubi commoda, ibi incommoda": quem colhe as vantagens suporta os inerentes prejuízos.

Na hora atual, o PS enfrenta um desafio que não é mais fácil do que a luta pela liberdade e pela democracia. Trata-se, afinal, de garantir a viabilidade de um País com quase novecentos anos (se possível, na União Europeia; se necessário, fora dela) e de assegurar um futuro de prosperidade com justiça social (e não de enriquecimento de meia dúzia de ricos e de empobrecimento de milhões de pobres). Aliás, todos os partidos deveriam assumir o encargo de explicar com rigor, nas próximas eleições legislativas, que medidas propõem para alcançar tais objetivos.

Um congresso não passa de um início. Interessa, agora, que o PS forme equipas capazes, adote estratégias inclusivas (tanto no interior, como na sociedade) e desenvolva políticas de crescimento solidário. Tendo em conta o que aconteceu em Espanha, França ou Itália, não irá dispor de outra oportunidade. Qualquer mentira, mesmo que "involuntária", será punida em futuras eleições. Qualquer injustiça, por ínfima que seja, será encarada como repúdio do seu legado de esquerda. Qualquer corruptela, ainda que isolada, será entendida como a regra de conduta.

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