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Rui Pereira

Salteadores de ATM

Explosões em áreas urbanas assemelham-se a atentados terroristas.

Rui Pereira 9 de Dezembro de 2017 às 00:30
Os assaltos a multibancos ou caixas automáticas, também conhecidos pela sigla da sua designação em inglês ("automated teller machine"), constituem, ao mesmo tempo, uma janela de oportunidade para os grupos de assaltantes e uma preocupação prioritária das polícias. Só em 2017, já foram destruídas, por explosão, 175 caixas e furtados cerca de dois milhões de euros.

Estes infindáveis assaltos funcionam como uma excelente parábola da relação complexa que se estabelece entre a liberdade e a segurança nas sociedades contemporâneas. Achamos normal e muito proveitoso poder levantar dinheiro a qualquer hora e em cada esquina (desculpem a paráfrase financeira da 'Grândola'), sem o inconveniente da fila de espera nas agências bancárias.

Em Portugal, estas caixas cresceram como cogumelos, irrompendo em postos de abastecimento, superfícies comerciais, estabelecimentos de restauração ou ruelas anódinas. Como sempre, todavia, compra-se a liberdade com a segurança. Os agrupamentos de "médios delinquentes", de geometria variável e parca organização, têm o engenho para as fazer explodir com facilidade.

Crimes triviais? Sim pelo número, mas não pela gravidade. Explosões em áreas urbanas, se necessário à porta de residências ministeriais, assemelham-se a atentados terroristas, gerando forte insegurança na comunidade. Por isso, os autores são puníveis, em concurso e cúmulo jurídico, por dois crimes (furto qualificado e explosão) com penas que rondam o máximo legal.

A equação que envolve liberdade e segurança apresenta como incógnita as medidas de prevenção e repressão do crime. Não se trata só de um caso de polícia. A banca tem de cumprir a sua parte, com videovigilância, centrais de alarme e mecanismos de inutilização do dinheiro. Ao MP e às polícias pede-se cooperação leal e proficiência na prevenção e investigação do crime.
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