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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Sérgio Pereira Cardoso

A1, sentido Norte-Inferno

Ao volante de um veículo novo, o assaltante emocionou-se e acelerou a fundo rumo à A1. Ainda não o sabia, mas a viagem seria curta.

Sérgio Pereira Cardoso 13 de Novembro de 2016 às 00:30
'High-way to hell’, em português, autoestrada para o inferno, é um dos mais icónicos temas dos AC/DC e encaixa perfeitamente como banda sonora desta história que vos trago de um jovem assaltante de Almeirim que viveu na A1 uma sucessão de desastres.

A narrativa começa por volta das 16h55 do dia 28 de janeiro de 2004, junto à estação de comboios de Alhandra, quando o indivíduo, de 24 anos, obrigou uma mulher a sair da carrinha Volkswagen Sharan, puxando a condutora pelos cabelos, o que ajuda a perceber, já ao segundo parágrafo, a qualidade humana deste cavalheiro. Apesar de bastante combalida, a vítima levantou-se e comunicou a situação às autoridades.

Ao volante de um veículo novo, o assaltante emocionou-se e acelerou a fundo rumo à A1. Ainda não o sabia, mas a viagem seria consideravelmente curta. Ali exatamente ao km 34,6, o Fernando Alonso do Ribatejo despistou-se com violência. Diz o povo que vaso ruim não quebra: enquanto a carrinha ficou totalmente desfeita, o homem, embora a sangrar abundantemente da cabeça e com ferimentos por todo o corpo, emergiu dos destroços, qual Rambo, e continuou a sua jornada. Só que agora a pé.

Militares da Brigada de Trânsito foram chamados, já, claro, devidamente informados do carjacking que havia ocorrido junto à estação de Alhandra. Chegados à autoestrada, começaram a seguir um rasto de sangue, que levava já quase dois quilómetros de extensão, porém, ladrão, nem vê-lo.

Seria o condutor de outro veículo que viajava na A1 a encontrar o bandidolas. "Encostei na berma e o sujeito veio a correr para o carro. Devia pensar que tinha arranjado boleia para sair dali", contou o automobilista que, azar dos azares, era o sargento-ajudante Araújo, que saíra do posto minutos antes.

O assaltante foi do céu ao inferno nos segundos que separaram o momento em que viu alguém parar e o outro em que o GNR lhe mostrou o crachá. "Não ofereceu qualquer resistência", vincou o militar. Sábia decisão. Depois de escapar à morte num acidente brutal, andar dois quilómetros a pé e a jorrar sangue da cabeça, talvez tivesse mesmo chegado o tempo de findar a automutilação.

Foi conduzido a tribunal e ficou-se a saber que já tinha cadastro por crimes sexuais em Inglaterra. Um currículo internacional premiado pela Justiça portuguesa, que o voltou a libertar, ignorando outra regra popular: gente tola e touros, paredes bem altas!
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