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Sérgio Pereira Cardoso

As empregadas da limpeza

"Na mesa e no frigorífico da sala de convívio, deixaram (...) alguns alimentos, incluindo dois ananases de dimensões acima da média".

Sérgio Pereira Cardoso 21 de Agosto de 2016 às 01:45
Foi o mordomo, claro! O clássico final de filmes e romances policiais habituou-nos a suspeitar, logo à primeira vista, do aparentemente inofensivo responsável pela criadagem. No início do ano de 2006, uma estranha onda de desaparecimentos de objetos e de comida do interior da esquadra da PSP de Carnaxide, em Oeiras, lançou a dúvida durante semanas. O culpado? Não, não foi o mordomo. Mas quase.

Talheres, copos, fruta, peças de roupa, bens apreendidos e haveres pessoais dos agentes. Tudo se sumia das instalações. Na madrugada de 2 de janeiro, três polícias particularmente saturados com o fenómeno decidiram lançar a ratoeira. Na mesa e no frigorífico da sala de convívio deixaram, bem contadinhos, alguns alimentos, incluindo dois ananases de dimensões acima da média.

Ao princípio da tarde, no regresso ao trabalho, esses mesmos agentes viram que o isco tinha sido mordido. Ananases nem vê-los. Com o acesso ao local restrito a polícias e funcionárias, o leque de suspeitos ficou reduzido e, chamem-lhes preconceituosos, os PSP decidiram não duvidar dos colegas. Eram as empregadas que estavam na mira desta peculiar investigação.

Precisamente uma das mulheres, de 46 anos, viria a pedir-lhes boleia para a esquadra de Miraflores, onde também executava limpezas. A curiosidade é que precisou de espaço extra no carro-patrulha, já que levava um enorme saco às costas, qual Pai Natal ligeiramente atrasado. De regresso a Carnaxide, os agentes informaram o comandante de toda a situação e foi rapidamente dada luz verde para viajarem de novo para Miraflores e revistarem a suspeita número 1. Assim que abriram o saco, viram os inconfundíveis ananases, acompanhados de uma embalagem de minitostas, quiçá para um belo lanche, entre muitos outros bens.

Logo nesse dia, outra funcionária dos quadros da PSP, de 51 anos, foi igualmente alvo de ‘buscas’. No cacifo, tinha mais do que a loja do chinês. Era o fim das assaltantes da esfregona.

Por não terem sido apanhadas em flagrante, as mulheres não foram detidas. Levaram, isso sim, com processos disciplinares e, muito provavelmente, terão sido despedidas. Roubar no local de trabalho está longe de ser a melhor ideia. Agora, se o local de trabalho é uma esquadra da PSP, será de ponderar com redobrada calma. Até porque a culpa é sempre do mordomo. Não havendo, é das empregadas. Daquelas que gostam de limpar mesmo tudo.
PSP Carnaxide Oeiras Miraflores Pai Natal
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