Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Sérgio Pereira Cardoso

Desespero pornográfico

"Rodrigo ficou verdadeiramente em fúria com a nega levada no Estúdio 111."

Sérgio Pereira Cardoso 4 de Setembro de 2016 às 01:45

"Tenho 31 anos, sou viciado em pornografia e virgem por causa disso." Calma, estas últimas aspas que aqui vê significam que a frase não é da minha autoria, apesar da coincidência de também ter nascido em 1985. A confissão em causa foi proferida por um britânico apelidado de ‘Jim’ pela BBC, emissora que dedicou recentemente um trabalho alargado aos problemas da dependência do cinema de cariz sexual. Com uma grave falha: não incluiu o caso de um portuense que, às custas desse peculiar vício, acabou em tribunal.

Recuemos ao final de uma manhã de fevereiro do ano passado. Rodrigo – um nome tão verdadeiro quanto deve ser o de Jim – dirigiu-se ao Estúdio 111, um espaço no Beco de Passos Manuel, na cidade do Porto, dedicado à projeção de filmes, digamos, alternativos. Desempregado e a passar um mau bocado a nível financeiro, o homem de 51 anos procurava algo que lhe levantasse o astral. Algum problema? Nenhum, a não ser os cinco euros do bilhete.

"Ó colega, deixe-me lá entrar de borla. É domingo, só quero ver um filmezito e ir embora. Eu não arranjo confusão." O desespero pornográfico de Rodrigo não comoveu o funcionário da bilheteira. "Cinco euros, nem mais, nem menos." Às tantas, valia a pena. Poderia ser uma película com um poderoso e dramático argumento, como aquele da mulher que chama o canalizador e depois, coitada, não tem dinheiro para pagar.

Por falar em não ter dinheiro para pagar, Rodrigo ficou verdadeiramente em fúria com a nega levada no Estúdio 111. Foi para casa, na zona de Campanhã, não demorando a regressar. Voltou a dirigir-se à bilheteira e das calças sacou uma arma. O funcionário do cinema já tinha visto muitas coisas a saírem de calças naquele estabelecimento, mas esta assustou-o de forma particular.

"Agora, dás-me o dinheiro todo que tens aí na caixa ou eu mato-te", ordenou-lhe o assaltante, com claros sinais de se encontrar num momento tenso. A vítima assim o fez. Entregou os 50 euros – dez clientes até à hora de almoço, nada mau! – ao homem, que foi à sua vida.

Apenas duas semanas depois, estava detido pela Polícia Judiciária do Porto. Perfil: um antigo restaurador de móveis, sem cadastro, solteiro. Lá foi a tribunal, ficando sujeito a apresentações às autoridades. Tudo só para ver um filme de extrema ação. Amigo, deixe lá isso dos assaltos. Existe uma coisa que inventaram há uns anos, chamada internet, que é capaz de lhe ser útil. Dizem.

BBC Estúdio 111 Porto Campanhã Polícia Judiciária do Porto pornografia
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)