Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
2
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Sérgio Pereira Cardoso

O telemóvel do GNR

Julgo que ainda não terá sido criada uma tabela que permita identificar o nível de risco de um determinado alvo para o ladrão.

Sérgio Pereira Cardoso 5 de Junho de 2016 às 15:00

Cientificamente, deve até ser difícil comprovar que há uma maior probabilidade de ser apanhado num ataque a uma dependência bancária do que fazendo o mesmo   num   balcão   dos   CTT ou   numa   loja   de   brinquedos. Ainda   assim,   arrisco:   roubar um telemóvel de um GNR no interior   do   próprio   posto   já   é viver no limite.

Na   origem   desta   história   está uma notificação do tribunal a um jovem de 28 anos de vida pouco   ajuizada.   Não   conseguindo perceber de que situação   em   específico   se   tratava, tomou a decisão de ir à GNR de Teixoso, na Covilhã, tentar falar com o comandante.

Este posto contava - pelo menos na altura, em novembro de 2011 - com uma particularidade. Para ter boa rede, era necessário estar junto a uma janela, pelo que os militares deixavam, várias vezes, os seus telemóveis numa   secretária   ali   colocada propositadamente,   o   que   não escapou à atenção deste destemido assaltante.

De mãos rápidas e leves, pegou num telefone e guardou-o no casaco. "Olha lá, o que é que meteste ao bolso?", interromperam-no. "Eu, senhor guarda? Nada." "Nada? Então espera aí só um bocadinho." Rapidamente,   o   militar   da   GNR percebeu que faltava um telemóvel na mesa. Pegou noutro e ligou para o número do equipamento desaparecido. Sem surpresa, o bolso do ladrão começou a tocar. "Não vais atender? Olha que pode ser importante." O conselho fazia todo o sentido. Nunca se sabe. Até podia ser   um   familiar   longínquo   a querer   matar   saudades,   ou, melhor, um daqueles concursos da televisão para entregar um automóvel e uns milhares de euros em cartão.

A posterior revista comprovou o que já era mais do que certo: o assaltante   tinha   o   telemóvel roubado. Mas não só. A roupa do jovem escondia mais do que uma offshore do Panamá. Uma carteira   e   quatro   moedas   em ouro e cobre, tudo roubado, e ainda   haxixe   e   canábis   para dar e vender. Neste caso, literalmente.

Ora, nada melhor do que ir falar com o comandante da GNR carregado de droga e material furtado   e,   ainda,   aproveitar para levar mais um telemóvel de   um   guarda   do   interior   do posto. Só faltava ter ido já de punhos esticados à espera das algemas.   Bilhete   mais   rápido de ida para a cadeia só mesmo no Monopólio.

Sérgio Pereira Cardoso ladrões do pior
Ver comentários